Enquanto se comemora o Dia da Saúde Mental, nesta quarta-feira (10), dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que as mulheres são mais suscetíveis a desenvolver algumas doenças mentais – sobretudo a depressão-, comparativamente aos homens, chegando a proporção de dois casos femininos para cada caso masculino. Em decorrência deste fato, o mesmo estudo revela que as mulheres consomem cerca de 70% dos remédios antidepressivos.

No âmbito da depressão, estima-se que 17% da população adulta mundial pode sofrer de depressão em algum momento da vida, sendo que 154 milhões de pessoas no mundo são acometidas pela doença em um determinado momento.

O psiquiatra Élio Luiz Mauer afirma que esse quadro se reflete nos consultórios e clínicas especializadas. Segundo ele, essa tendência ocorre devido a características fisiológicas e genéticas e em especial a aspectos hormanis, sobretudo a partir dos 50 anos, quando tem início a menopausa. “Além dos fatores descritos, pode-se apontar a participação dos aspectos culturais: as mulheres são mais abertas à possibilidade de procurarem ajuda”, afirma Mauer, que há um ano está à frente da UNIICA – Unidade Intermediária de Crise a Apoio à Vida, do Grupo Marista.

Essa abertura das mulheres pode, também, ser expandida para o quadro dos transtornos mentais como um todo, como Transtorno Bipolar e Transtornos da Ansiedade. Para referendar, Mauer citou os dados registrados nesses últimos 12 meses na UNIICA. As mulheres foram maioria, chegando a 62% dos internamentos. “Talvez essa seja um herança da ideia preconceituosa e errônea de que o transtorno mental seja uma fraqueza e assim rejeitada pela maioria dos homens”, explica o psiquiatra.

Mauer afirmou ainda que o fato das mulheres terem assumido novos papeis na sociedade moderna, associados aos demais fatores, acabam acentuando a probabilidade de desenvolver transtornos mentais que tenham a ver com essa nova função. “O estresse é um dos sintomas da modernidade que tem acometido as mulheres de forma mais intensa na atualidade, sendo o fator causal depressão”, ressaltou o psiquiatra.

É importante, de acordo com o psiquiatra, que haja uma percepção dos sintomas mais comuns que revelam um quadro de alteração na saúde mental. É preciso estar atento a falta de ânimo, distúrbios do sono, alterações súbitas de humor, falta ou excesso de apetite e, em alguns casos mais extremos excesso de manias ou medos sem fundamento. “Os transtornos mentais tem uma vasta gama de sintomas, de acordo com a sua natureza. Por isso, é fundamental que haja um acompanhamento de um médico especializado que indicará o tratamento mais adequado”, explicou Mauer.

Brasil é o país com mais casos em todo mundo

Em uma pesquisa divulgada pela OMS no ano passado, o Brasil lidera o quadro de pessoas com depressão chegando ao impressionante número de 10% da população brasileira. Japão figurou topo da lista como país com menos incidência – de apenas 2,2% da população.

A OMS usou metodologia idêntica em 18 países, divididos de acordo com sua economia. Os de alta renda estudados são Bélgica, França, Alemanha, Israel, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia, Espanha e Estados Unidos. Os de baixa e média são Colômbia, Índia, China, Líbano, México, África do Sul, Ucrânia e Brasil – com dados apenas da cidade de São Paulo.