Mais cara, de recuperação mais lenta e de maior risco de infecção, hemorragia e reações. Mesmo com tantas desvantagens as mulheres ainda optam pela cesárea na hora de terem os filhos. As principais razões: para as pacientes, o medo da dor; para o Sistema Único de Saúde (SUS), as condições e o custo; e para profissional, disponibilidade.

Dos mais de 48 mil nascidos vivos da Região Metropolitana de Curitiba, cerca de 47% nasceram de cesariana. Somente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quase 28% dos partos ainda são cesarianas. Em nível nacional, 32% dos partos realizados, mais de dois milhões, são cesarianas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que esse índice fique em torno dos 17%. O Brasil é um dos campeões do mundo em número cesarianas.

Para reverter a situação, o Ministério da Saúde desenvolve e repassa para estados e municípios, o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, que incentiva o parto normal, cuja recuperação é mais rápida e não dificulta a amamentação, alimentação e deambulação das pacientes.

Exemplo

Dalila Magalhães Silva entrou em trabalho de parto às 7h. Tentou parto normal até as 22h, mas acabou fazendo cesárea. "Não vale a pena ficar sentindo dores até a noite. Se eu soubesse que seria tranqüilo, eu teria marcado a cesariana antes", conta Dalila.

Segundo o médico ginecologista e obstetra, coordenador do Programa Saúde da Mulher da Secretaria de Estado da Saúde, Amauri do Rosário, esse índice varia de acordo com as condições do atendimento à saúde de cada área. Nos locais onde as condições são um pouco melhores, o número de cesáreas aumenta. Na região de Maringá, por exemplo, dos 8.812 nascidos vivos, 67% são de cesarianas.

O custo médio de um parto normal, pelos procedimentos do SUS, entre serviços hospitalares, profissionais e laboratoriais, é de R$ 291,15. A cesariana custa R$ 402,83: R$ 278,10 só de serviços de hospital.

(Nájia Furlan, especial para O Estado)