A prevalência da obesidade no Brasil aumentou nas últimas décadas, independente da classe social ou faixa etária. As alterações no estilo de vida, associada à vida sedentária, contribuíram para esse aumento. Somente uma mudança cultural que reflita no comportamento das pessoas poderá reverter esse quadro.

A avaliação é do diretor-presidente do Instituto Curitiba de Saúde (ISC), Eduardo Mischiatti, que vem constatando esse crescente problema na entidade. O ISC é uma organização que presta serviços na área da saúde à Prefeitura de Curitiba, e reúne cerca de 67 mil beneficiários. Segundo ele, a grande demanda por endocrinologias fez com que a entidade montasse um grupo multidisciplinar para o atendimento. No ano passado, o ICS cobriu 30 cirurgias bariátricas ou de redução de estômago. Já para este ano estão agendadas outras 70 cirurgias. “Isso mostra que o problema da obesidade é muito preocupante”, ponderou.

O aparecimento da doença está ligada ao comportamento das pessoas, que se alimentam mau durante o dia, afirma Mischiatti, usando como argumento a falta de tempo, mas nas horas vagas também mantêm o mesmo hábito. Com as crianças e adolescentes, o problema está ligado à cultura da informática, “quando eles só se realizam com um computador ou game, ingerem alimentos impróprios e levam uma vida sedentária”. A mudança desse comportamento está na família, pois segundo Mischiatti, a criança é o reflexo dela. Aliado a questão estética, a obesidade acarreta outros problemas, como a hipertensão arterial, que pode provocar sérios problemas no coração.

Seminário

E a obesidade foi discutida ontem durante um seminário na Câmara Municipal de Curitiba. O vereador Ângelo Batista afirma que a necessidade de discutir o tema é urgente, já que a doença pode ser considerada uma epidemia. Entre os participantes do seminário estavam jovens e adolescentes de escolas da capital. De acordo com Batista, esse público está em fase de formação e pode decidir pela mudança de comportamento.