As informações fornecidas pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo, nas capitais dos 26 estados do país e no Distrito Federal, revelam os hábitos relacionados à saúde dos brasileiros adultos.
A pesquisa consistiu em mais de 54 mil entrevistas telefônicas, com um mínimo de 2 mil indivíduos adultos (18 ou mais anos de idade) em cada uma das 26 capitais e no Distrito Federal. A amostragem foi realizada a partir de cadastros das linhas telefônicas residenciais de cada cidade, onde um morador foi selecionado para ser entrevistado.
As entrevistas foram feitas entre julho e dezembro de 2007 por uma equipe de 60 entrevistadores, quatro supervisores e um coordenador. No questionário perguntas sobre tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade, ingestão de frutas e hortaliças, atividade física, proteção contra raios ultravioletas, auto-avaliação do estado de saúde, diagnóstico autodeclarado de hipertensão e diabetes e, para as mulheres, exame de mamografia e preventivo de colo de útero (Papanicolau).
Os resultados do VIGITEL mostram que, de uma forma geral, as brasileiras têm cuidado mais da saúde: alimentam-se melhor, fumam menos, são menos sedentárias, bebem menos e têm menos excesso de peso.
Por outro lado, cerca de 43,4% da população adulta estão com excesso de peso (IMC> 25), apenas 17,7% da população atendem às recomendações da OMS de comer cinco porções diárias de frutas e hortaliças, o consumo de carne com gorduras aparentes está no cotidiano de 32,8% da população e 29,2% dos adultos são sedentários.
Veja a seguir os principais resultados:
Tabagismo
A freqüência de fumantes nas 27 cidades é de 16,4%. "Percebemos que esse hábito está diminuindo, mas o ideal é a sua eliminação" comenta Deborah Malta. A cidade com maior freqüência de fumantes é Porto Alegre (21,7%) e a menor é Salvador (11,5%). Se for comparado o hábito entre homens e mulheres, eles (20,9%) fumam mais que elas (12,6%). Os homens que mais fumam no país estão em Florianópolis (26,4%) e as mulheres, em Porto Alegre (20,1%). Em ambos os sexos a freqüência de fumantes cai após 54 anos de idade, alcançando menor número entre os indivíduos com 65 anos ou mais.
Excesso de peso e obesidade
Aqueles com excesso de peso (IMC maior ou igual a 25kg/m2) já somam 43,4% da população das capitais brasileiras. "A situação é preocupante, o excesso de peso é um fator de risco para doenças do coração, diabetes e outras", observa a coordenadora. A maior parcela de adultos com excesso de peso foi encontrada em Cuiabá (49,7%), tanto em homens (57,0%) como em mulheres (42,2%), e a menor em Palmas (33,4%). Em geral, a ocorrência do excesso de peso é mais freqüente em homens do que em mulheres. O cruzamento entre excesso de peso, grau de escolaridade e sexo revela que, entre homens, o maior número de indivíduos acima do peso está entre os de maior escolaridade. Já entre mulheres o aumento do peso ocorre quanto menor a escolaridade.
Já em relação à obesidade (IMC maior ou igual a 30 kg/m2), o conjunto das capitais tem 12,9% de obesos sendo a maior parcela encontrada no Macapá (16,1%), seguido de Campo Grande (15,0%). A menor quantidade de obesos está em Palmas (8,8%). O maior número de homens obesos foi encontrado em Macapá (19,5%) e de mulheres, em Cuiabá (14,8%).
Consumo recomendado de frutas e hortaliças
O consumo recomendado pela OMS é de 400g/dia de frutas e hortaliças, o que corresponde a cinco ou mais porções, pelo menos em cinco ou mais dias por semana. No conjunto das capitais e no Distrito Federal, a freqüência da população adulta que consome essa quantidade foi de 17,7%. "Precisamos traçar estratégias para aumentar o consumo de frutas e hortaliças", alerta Deborah Malta.
A maior freqüência foi encontrada em São Paulo, que apresentou 23% da população com esse hábito. Porto Velho, do lado oposto, apresenta apenas 10%. Entre os homens, a menor freqüência foi encontrada em Porto Velho (6,9%) e a maior em São Paulo (17,5%). Já entre as mulheres, a frequência variou de 10,6%, em Boa Vista, a 27,7%, em São Paulo.
Consumo de refrigerantes
A freqüência de adultos que consomem refrigerantes cinco ou mais dias da semana variou de 21% em Aracaju (menor regularidade) a 38% no Macapá (menor regularidade). No conjunto das capitais e Distrito Federal, 26,7% dos entrevistados bebem refrigerantes. Os homens bebem com maior freqüência (31,7%) que as mulheres (22,4%). Entre os homens adultos, Porto Velho é a capital onde há maior consumo (43%) e o menor em Natal (19%). Entre as mulheres, o maior percentual de consumo da bebida é em Macapá, com (38%), e o menor em Natal (12%). Foi observado também que quanto maior a escolaridade menor o consumo de refrigerantes.
Atividade física no lazer
São poucos os adultos que praticam atividade física suficiente no lazer (30 minutos diários de intensidade leve ou moderada, em cinco ou mais dias da semana, ou 20 minutos de intensidade vigorosa em pelo menos três dias da semana). A freqüência varia entre 11,3% em São Paulo e 20,5% em Vitória. No conjunto das capitais, a prática regular foi de 15,5%. "Talvez Vitória tenha tido a maior freqüência por apresentar um serviço de orientação ao exercício físico criado pela prefeitura há mais de 20 anos. O Ministério da Saúde tem apoiado esta iniciativa", diz Deborah.
Entre os homens, 19,3% praticam atividade física no lazer e entre mulheres apenas 12,3%. Entre homens, a prática regular de exercício mais freqüente acontece em Belém (25%) e a menos freqüente é em São Paulo (16%). Entre as mulheres, o maior número foi em Palmas (19%) e o menor em São Paulo (8%). A faixa etária entre os homens onde a freqüência é máxima é dos 18 aos 24 anos. Entre mulheres, a situação mais desfavorável é encontrada nas faixas etárias extremas: apenas 10% das mulheres jovens e 11% das idosas informam atividade física no lazer.
Consumo de bebidas alcoólicas
O consumo abusivo de bebidas alcoólicas (considerado mais de cinco doses para homens e mais de quatro para mulheres em uma mesma ocasião, nos últimos 30 dias) variou entre 13,4%, em São Paulo e 23% em São Luís. A freqüência no conjunto das capitais foi de 17,5%. Na maioria das cidades, a ingestão abusiva foi três vezes maior nos homens (27,2%) do que nas mulheres (9,3%). O maior percentual entre os homens se deu em São Luís (39%) e o menor em São Paulo (21%). Entre mulheres, Salvador é a capital onde há maior consumo (14%) e Curitiba o menor (5%). A partir dos 45 anos de idade a ingestão de álcool declina progressivamente.
Auto-avaliação do estado de saúde
A auto-avaliação da saúde, obtida com uma única questão que pede para o indivíduo classificar seu estado de saúde em excelente, bom, regular ou ruim, tem sido amplamente utilizada em inquéritos de saúde. De obtenção simples, a resposta a esta questão produz uma classificação global do estado de saúde capaz de captar, além de sinais e sintomas de doenças (diagnosticadas ou não por profissional de saúde), o impacto que essas doenças geram no bem-estar físico, mental e social dos indivíduos.
Cerca de 5% dos brasileiros avaliaram seu estado de saúde como ruim. A freqüência de adultos que auto-avaliou seu estado de saúde como ruim variou entre 3,3% em Belo Horizonte e 7,9% em Manaus (maior freqüência). Entre homens, o maior percentual foi em Salvador, com 7%, e, entre mulheres, Manaus, com 10%. De uma maneira geral, as mulheres tendem a achar seu estado de saúde pior que os homens.
Prevenção de câncer de colo de útero
O Ministério da Saúde recomenda o exame de colo de útero (Papanicolau) a cada três anos para todas as mulheres entre 25 e 59 anos que apresentaram citologia normal no último exame. Para o conjunto das capitais, o percentual foi de 82%, sendo que os maiores percentuais foram observados em São Paulo (90%) e Porto Alegre (90%) e os menores em Teresina (68%) e Fortaleza (69%).