Especialistas podem cultivar e multiplicar células do corpo.

Os avanços da medicina sempre pretendem encontrar a cura de doenças e aumentar a sobre vida de pacientes com riscos, entre outros. Com base em novas pesquisas, cientistas descobriram que a medicina do futuro estará baseada na terapia celular e na utilização de células-tronco.


O diretor adjunto da pós-graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Waldemiro Gremski, conta que atualmente já é possível utilizar as células do próprio paciente para resolver algumas doenças. Ele dá o exemplo da insuficiência cardíaca, que ocorre quando células do coração perdem a capacidade de contração. “A pessoa com essa insuficiência faz um mínimo de esforço e já fica completamente sem fôlego, pois o coração não bombeia sangue suficiente. Essa doença não tem cura”, explica.

A única solução seria um transplante de órgão, com todas as complicações de uma cirurgia e os riscos de rejeição. Mas a terapia celular também pode ser aplicada nessa situação. Os médicos retiram células musculares da perna do paciente e as encaminha para o laboratório. Lá, elas são cultivadas e multiplicadas. Depois desse processo, as células são injetadas no coração do doente. “Isso rejuvenece o coração, que readquire a capacidade de contrair. O paciente não terá problemas com rejeição porque as células são dele”, afirma Gremski. Além desse método, os especialistas dos laboratórios da PUCPR estão estudando o cultivo de células especializadas na produção de insulina para os diabéticos e para outros problemas cardíacos.

Outro caminho para evitar a rejeição dos transplantes é o emprego de órgãos criados a partir das células-tronco. São células que possuem a potencialidade de se transformarem no decorrer de suas diferenciações em outros tipos de células. “Até um certo grau, elas guardam essa potencialidade”, comenta Alberto Accioly Veiga, decano do Centro de Ciências Biológicas e de Saúde da PUCPR. As células-tronco podem ser retiradas do sangue do cordão umbilical do recém-nascido e armazenadas em nitrogênio líquido para quando houver a necessidade. “Mas elas já estão destinadas para a produção de sangue, o que dificultaria as suas transformações”, explica.

Assim, o melhor seria a utilização das células-tronco de um embrião, no qual ainda não foram formadas células específicas. A única maneira de conseguir essas unidades é na fertilização in vitro, técnica adotada por casais com problemas para engravidar. No momento da fecundação em laboratório, as células começam a se dividir e o especialista separa vários grupos de células, formando alguns embriões. Três ou quatro deles são colocados no útero. Os outros ficam estocados no nitrogênio líquido. Se a gravidez der certo, os embriões que sobraram não têm mais finalidade nesse sentido. Seriam deles que saíram as células-tronco para a produção de órgãos em caso de transplantes, somente para essa pessoa que surgiu por meio da reprodução assistida. “Há uma grande discussão no mundo sobre isso. Alguns dizem que seriam possíveis seres humanos. A Igreja é completamente contra a utilização das células desses embriões”, indica Veiga. “Elas são absolutamente perfeitas. Nunca mais esses embriões vão virar gente. Se os donos permitirem, eles podem ser doados. Seria uma maneira ética de dispor desse material biológico. Há um exagero na preocupação com isso”, avalia o decano.