Dados estatísticos da última pesquisa oficial realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) apontam que 54,5% dos adolescentes de 12 a 17 anos, da região Sul, consomem bebida alcoólica. Desses, 4,5% já apresentam dependência, pois a oferta do álcool para essa faixa etária cresce diariamente, assim como a facilidade de compra de bebidas, pelo baixo preço e falta de fiscalização.
O quadro com as estatísticas relativas aos usuários de drogas, principalmente o álcool, vem preocupando especialistas da área que buscam soluções para o problema. A chefe da Coordenadoria Estadual Antidrogas (Cead), psicóloga Cleuza Canan, diz que o consumo da bebida alcoólica começa cada vez mais cedo. “Os jovens apresentam comportamentos diferenciados, mas os pais acreditam que são problemas causados pela idade e não prestam a devida atenção para o caso”, conclui Cleuza.
Estão sendo estudadas alternativas para mobilizar empresários, membros da comunidade religiosa, científica, políticos, instituições de ensino, conselhos municipais e outros órgãos para que a tarefa de conscientização seja uma ação conjunta de toda a sociedade. A Cead tem por finalidade contar com o apoio de todos os colaboradores, para implantação de projetos que criem grupos de fiscalização no cumprimento da lei sobre a venda de bebida alcoólica para menores de 18 anos, analisar e discutir a possibilidade da mudança de horários de estabelecimentos públicos que comercializam o produto e organizar treinamento para aqueles que comercializam e servem o álcool.
Há dificuldades em manter resultados positivos nas ações de caráter preventivo a respeito da bebida alcoólica, por ser socialmente aceita e considerada uma droga lícita. “As crianças convivem com a presença da bebida dentro de casa, em razão do consumo de adultos. Os pais, talvez por desinformação ou mesmo por pura negligência, aceitam que os filhos comecem a beber mais cedo, pois acham que isso faz parte do momento da sua vida, o que torna mais difícil a percepção do problema. Os adultos, por sua vez, acabam procurando ajuda muito tarde e isso dificulta o tratamento, pois o alcoolismo é um problema progressivo e deve ser tratado cedo”, analisa Cleuza.
Para a psicóloga, o tratamento para os jovens e adultos é semelhante. Porém, no caso de crianças e adolescentes, a chance de recuperação é mais expressiva, pois o apoio dos pais e da família geralmente é maior. “Os pais deixam de julgar o filho com o problema e percebem que o alcoolismo é uma doença e deve ser tratada”, acrescentou.
Em sua análise, Cleuza alerta que “apesar do que muitas pessoas pensam, o álcool é a porta de entrada para as outras drogas, pois seu consumo pode comprometer comportamentos, tornando-as vulneráveis. Há casos da incapacidade de desenvolver o senso critico, o que faz com que esse, no momento que esta alcoolizada, não saiba mais distinguir situações de risco”. Outro fato constatado no tratamento de dependentes de drogas ilícitas é que na maior parte dos casos, a pessoa declara que iniciou o uso de entorpecentes pela bebida alcoólica, sem ter dimensão do problema.


