Dentre as doenças de inverno, a rinite alérgica é a que traz mais desconfortos. Nariz entupido, coceira, espirros e coriza excessiva. Muitas vezes esses sintomas são ignorados, se prolongam e o processo se complica.

A frequente congestão nasal obriga a pessoa a respirar pela boca, podendo ocasionar irritação na garganta, voz anasalada, ronco e outros distúrbios respiratórios do sono.

Não é incomum a associação de outras doenças, como, por exemplo, otites, sinusites, faringites, amigdalites e asma. A respiração oral crônica, por sua vez, particularmente nas faixas etárias mais precoces, frequentemente se associa a alterações de desenvolvimento facial e dentárias.

Para quem sofre de alergia, o inverno traz desafios no controle da doença. Nesta época do ano, por passar muito tempo dentro de casa e em lugares fechados para se abrigar do frio, o alérgico fica em contato com vários alérgenos (substâncias que causam alergias), sendo necessário redobrar os cuidados contra os fungos, ácaros, poeira, pelo e saliva de animais domésticos, mofo, bolor, entre outros desencadeadores. Os vilões da alergia também não dão trégua ao ar livre, como a poluição do ar, resíduos de veículos e até o pólen das flores.

Sintomas recorrentes

Vale ressaltar que a rinite alérgica não é uma infecção, mas um processo inflamatório de hipersensibilidade da mucosa que reveste o nariz. “Não é contagiosa, não causa febre, não compromete o estado geral do paciente e costuma ter duração variável, dependendo da intensidade e frequência de exposição aos alérgenos” explica o alergologista e imunologista Dirceu Sole.

Ao contrário da rinite, o resfriado e a gripe são causados por vírus. O primeiro é uma infecção que pode ser causada por inúmeros vírus, o mais comum é o Rhinovirus que desencadeia obstrução nasal, coriza, espirros e febre baixa.

Já a gripe é ocasionada pelo vírus Influenza, que costuma provocar sintomas mais intensos que o resfriado, como febre alta e dores no corpo, além da obstrução nasal, tosse e espirros.

Por terem sintomas muito semelhantes, a rinite alérgica costuma ser diagnosticada como resfriado ou gripe. “A recorrência dos sintomas e a ausência de febre devem atentar o paciente para a possibilidade de rinite alérgica”, comenta o alergologista. “Vale ressaltar que o próprio resfriado ou a gripe podem agravar a inflamação da mucosa nasal de pacientes com rinite, piorando os sintomas”, completa.

A grande parte dos pacientes com rinite alérgica apresenta limitações nas atividades diárias, produtividade reduzida no trabalho e em sala de aula, no caso de crianças.

Estudos mostram que cerca de 25% dos pacientes com rinite alérgica faltam ao trabalho ou escola. Um levantamento realizado na América Latina em 2009, conhecido pela sigla  AILA (Allergies in Latin America), mostrou que a maioria dos portadores da doença (79%) apresenta algum tipo de impacto sobre sua vida diária na presença dos sintomas.

Tratamento medicamentoso

Segundo a médica Shirley Pignatari, especialista em otorrinolaringologia pediátrica, o diagnóstico precoce e acompanhamento médico são fundamentais, uma vez que o paciente pode ser tratado preventivamente para evitar as crises decorrentes da rinite alérgica.

“Para algumas pessoas, fatores irritativos como o ar poluído da cidade ou alérgenos respiratórios, como a poeira doméstica são suficientes para o começar a espirrar e sentir coceira no nariz”, reconhe,ce, salientando que o tratamento adequado possibilita o controle da doença e permite uma melhor qualidade de vida para o paciente.

As crises decorrentes da doença causam sérios incômodos aos pacientes. No entanto, é possível amenizá-las e conviver bem com esse tipo de doença alérgica. Apresentar rinite alérgica não significa que o paciente deva sofrer por causa dos sintomas.

Para Shirley, entender como manter o problema sob controle e impedir que as crises interfiram na rotina do dia a dia é o primeiro passo para o paciente se sentir bem.

O tratamento da doença nem sempre é complicado. Os medicamentos mais frequentemente usados são os antihistamínicos e os corticóides nasais. A especialista ressalta ainda que a rinite alérgica tem caráter hereditário.

“Se um casal de alérgicos tem um filho, a chance de a criança ser alérgica é de aproximadamente 50%. Porém, mesmo que nenhum dos pais apresente alergia, a criança ainda assim pode ter manifestações da doença”, finaliza.

Rinite alérgica e o Inverno

* Os quadros respiratórios tendem a ser mais frequentes, tanto os infecciosos (resfriados, gripes, rinossinusites) como os quadros alérgicos.

* Situações comuns tendem a aumentar a incidência de alergia respiratória, como o uso de agasalhos de lã que ficaram guardados nos armários. Estas peças, guardadas por muito tempo, costumam ter um odor que é capaz de desencadear sintomas relacionados à doença.

* A variação brusca de temperatura pode ocasionar um quadro clínico típico de um processo alérgico. Por exemplo, ao acordar de manhã, a diferença de temperatura da cama aquecida e a do ar frio do quarto ou do banheiro pode fazer com que algumas pessoas que têm rinite alérgica tenham crises de espirros, obstrução nasal ou coriza.