Londrina – Ao abrir lentamente os olhos, o homem de meia-idade não só viu o mundo que nunca mais imaginava enxergar, mas também sentiu o sangue limpo e novo lhe correr pelas veias e aquecer a pele que andava sem vida havia algum tempo. Renovado, ele disse ter chorado, várias vezes, e agradecido mais uma infinidade de outras ao rapaz que, aos 17 anos e meio, deixou a vida de um homem cansado ser recuperada pelo fígado novo e pueril que recebia em transplante. Como a cirrose não havia lhe apagado o tino para o jornalismo e o transplante lhe havia acendido a vontade, pegou um papel qualquer e começou a rascunhar tudo o que via, desde o primeiro raio da manhã até o momento de descansar, anotações estas que deram origem ao livro Transplante Esperança de Renascer, lançado pelo jornalista Jota Oliveira nesta sexta-feira (dia 8).
Com vasto currículo profissional – Jota Oliveira trabalhou nos jornais Última Hora, edição do Paraná; Folha de S. Paulo, como correspondente em Londrina, além de ter dedicado 37 anos de sua vida ao jornal Folha de Londrina, que deixou no ano passado, o jornalista atualmente destina-se aos cuidados com a saúde e, nos últimos meses, à produção de seu livro. Oliveira, que é mato-grossense do sul, mas reside em Londrina desde 1961, teve o fígado transplantado em 30 de dezembro de 2002. Hoje, diz se sentir muito bem com a nova vida e já estuda a possibilidade de deixar de tomar um dos dois medicamentos imunossupressores que tem de consumir diariamente. Como forma de dar sua contribuição à campanha nacional de doação de órgãos e estimular a prática entre as pessoas, Jota Oliveira decidiu contar sua experiência, que, a priori, era para ser apenas uma reportagem.
“A idéia inicial era escrever uma reportagem sobre o tema do transplante de órgãos, mas quem iria publicar uma matéria de 60 páginas?”, brincou o jornalista durante entrevista. O livro Transplante Esperança de Renascer traz toda a trajetória que o autor teve de percorrer, desde o diagnóstico da doença até os cuidados posteriores ao transplante. Muitas dessas anotações, de acordo com Jota Oliveira, foram feitas durante a permanência de quatro meses no Hospital de Clínicas de Curitiba. “No hospital eu notava tudo, como estava o dia, que remédios tomava, quem me telefonava…” Foi também no hospital que o jornalista teve contato com doadores, pacientes, acompanhantes, médicos, enfermeiros, responsáveis pela centrais estadual e regional de transplantes, que funcionam em Curitiba e Londrina, respectivamente contatos que viraram entrevistas, também publicadas no livro. O jornalista, que esperou dois anos para receber um fígado em transplante, também reportou o que passa um transplantado: a espera, como funcionam as filas regionais e estaduais, os cuidados que deve ter no tratamento da doença e após a cirurgia e os vários estágios de recuperação.
No livro ele também abordou sobre os órgãos que podem ser transplantados, em quais ocasiões e quem pode ser doador. Hoje, Jota Oliveira disse estar muito satisfeito com a possibilidade de viver novamente. “Quando você acorda da cirurgia, você fica abalado, sentimental. Chorei várias vezes, mas eu só tenho a agradecer com a possibilidade dessa nova vida, é fantástico… é fantástico.”
O livro Transplante Esperança de Renascer, que tem 137 páginas e custa em torno de R$ 15,00, tem apoio da Sercomtel.


