Desde o ano 2000, a propaganda de cigarro é proibida em qualquer mídia no Brasil. Até que ponto a medida obteve êxito e reduziu o consumo de cigarros? Interessados em calcular o impacto da proibição especificamente na faixa etária dos 12 aos 18 anos, pesquisadores da Unifesp entrevistaram 21.712 alunos, matriculados em escolas públicas de 10 capitais brasileiras, e compararam os novos resultados aos de uma pesquisa realizada em 1997 ? antes do banimento da propaganda de tabaco. Os resultados mostram que o número de estudantes analisados que já havia experimentado cigarro caiu de 32,7%, em 1997, para 25,02%, em 2004.

Segundo artigo, que será publicado na revista internacional Addictive Behaviors, os resultados mostram que o número de crianças que já fumaram cigarro ao menos uma vez na vida diminuiu significativamente em sete das dez capitais analisadas. Foram elas: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Salvador e São Paulo. Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza não apresentaram mudanças significativas.

?Houve uma diminuição significativa no consumo de tabaco entre os estudantes analisados, sugerindo que a diminuição é relacionada às mudanças na política pública do Brasil ao longo do período estudado?, afirmam os autores do estudo José Carlos Galduroz, Arilton Martins Fonseca, Ana Regina Noto e Elisaldo Carlini.

Os dados mostram também que, ao longo dos sete anos de proibição, o número de crianças entre 11 anos e 12 anos de idade que já experimentaram cigarro diminuiu significativamente em oito capitais. As exceções foram Fortaleza, onde o número aumentou, e Rio de Janeiro, que não apresentou variação.

Sem cigarro

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 100 mil crianças e jovens se tornam fumantes regulares por dia no mundo. Globalmente, segundo a organização, cerca de 300 milhões de fumantes são jovens. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), os índices brasileiros não permitem comparações com os de outros países.

Os pesquisadores destacam que, embora não possa ser provado que há uma relação direta entre os resultados comparando as duas pesquisas ? que usaram a mesma metodologia e tiveram a mesma população alvo ? e a proibição da propaganda de cigarro, como também a impressão de avisos nos maços, há uma boa chance de que a redução no uso de tabaco esteja relacionada às políticas públicas adotadas neste setor no Brasil.

Outro dado importante da pesquisa: a taxa de pessoas que pararam de fumar é alta, ficando entre 44% e 58,3%. Chega a ser superior se comparado a países desenvolvidos, como Estados Unidos – média de 40%. O levantamento aponta ainda que a maior proporção de fumantes regulares está nas cidades do Sul – Porto Alegre (25,2%), Curitiba (21,5%) e Florianópolis (21,4%).

Em relação aos jovens, mais meninos experimentam cigarro em comparação a meninas, com exceção dos moradores de Curitiba e Porto Alegre. Entre 11,5% e 35,3% seriam classificados como fumantes regulares, ou seja, fumaram cem cigarros ou mais na vida e continuam com o hábito.

Fonte: Notisa