Ela não é uma doença contagiosa. Nas crianças, o principal incômodo se reflete na incessante coceira, na pele avermelhada, irritada ou ferida. Nos adultos, as lesões se localizam quase sempre nas dobras do pescoço e cotovelo e, por serem mais secas e escuras, podem causar dificuldades de convivência social em seu portador. Ewalda Stahlke, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia ? Seção Paraná, diz que apesar de ainda não ter cura, a doença pode ser controlada adequadamente.

Estima-se que a dermatite atópica atinja cerca de 20% da população mundial, número que no Brasil pode chegar a quatro milhões de pessoas. Pesquisas indicam que, no mundo, 15% das crianças de até dois anos de idade tenham crises da doença. Fato que, no entender da dermatologista, aponta para fatores genéticos, já que a causa exata do distúrbio ainda é desconhecida.

Fatores desencadeantes

Outros fatores que podem desencadear a doença vão desde os banhos quentes e demorados ao clima seco do inverno que deixa a pele ressecada. Com isso, substâncias irritantes do meio ambiente, como poeira, produtos de limpeza, fungos e bactérias, penetram mais facilmente na pele, causando vermelhidão e coceira intensa. Além desses, outros fatores colaboram para desencadear a doença, entre eles o estresse, a maior permanência em ambientes fechados e, em alguns casos, certos tipos de alimentos.

Ewalda Stahlke alerta para o risco de não se tratar a doença, salientando que essa despreocupação pode atrapalhar o desenvolvimento físico e psicológico da criança. Alguns sintomas da dermatite, segundo a médica, deixam as crianças mais sensíveis e vulneráveis a adquirir outros tipos de infecção através da pele. ?Além disso, a coceira constante atrapalha o sono e interfere no seu rendimento escolar?, enfatiza.

Muitas vezes, a dermatite atópica aparece associada às doenças respiratórias, como a rinite e a asma, que também tendem a piorar no inverno. Mesmo sem ter cura, o controle dos fatores desencadeantes e o tratamento adequado com corticóides tópicos, cremes hidratantes, sabonetes especiais e antialérgicos podem controlar o prurido, combater o ressecamento, reduzir a inflamação e até inibir o reaparecimento dos sintomas. Ewalda Stahlke salienta que, em alguns casos, a mudança do ambiente que a criança convive, retirando-se seus fatores alérgenos (odores, ácaros, carpetes, convivência com animais), já ameniza os sintomas, podendo, até mesmo, reverter o quadro alérgico.

Reduzindo os sintomas

Segundo a Associação de Apoio à Dermatite Atópica, seguir algumas medidas gerais de cuidado com a pele pode reduzir o aparecimento dos sintomas da doença.

? Evitar banhos longos e muito quentes.

? Hidratar a pele logo após o banho.

? Usar sabonetes e hidratantes neutros.

? Não usar buchas.

? Evitar roupas de tecido sintético.

? Manter a casa arejada e livre da poeira.