O verão começa no próximo dia 22 de dezembro e, muito mais do que preocupar-se se o corpo está em forma, homens, mulheres e crianças devem estar atentos aos cuidados com o excesso de exposição solar, para evitar o câncer de pele, que segundo estatísticas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é o de maior incidência no Brasil.

Este ano, de acordo com estudo realizado pelo instituto, devem ser registrados mais de 86 mil novos casos e, em 2005, o número deve aumentar para 113 mil novas ocorrências. Este número deve superar o total das estimativas de novos tumores de mama (49 mil) e próstata (46 mil) e pode representar quase 25% do total de 467 mil novos casos de todos os tipos de câncer ? os outros são os que afetam cólon e reto, pulmão, estômago e colo do útero ? previstos pelo estudo do Inca para o ano que vem.

Segundo o dr. Wiliam Saliba Junior, cirurgião plástico da Clínica Médica Ana Rosa, de Santo André, no ABC paulista, a orientação sobre os principais cuidados com a exposição solar, prevenção e detecção precoce da doença é a principal arma para combater o câncer de pele. Para esclarecer, os tópicos abaixo tiveram como base estudos e estatísticas sobre o tema as orientações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica:

Os raios UVB são responsáveis pelo aparecimento de um tipo de câncer de pele menos comum, porém mais agressivo, originado das células de pigmentação da pele (melanoma)

 90% dos cânceres de pele são originados por queimaduras freqüentes induzidas pela exposição habitual ao sol sem devida proteção; a maior parte da incidência desse tipo de doença ocorre nas áreas do corpo expostas repetidamente ao sol como cabeça, pescoço, face, terço superior da orelha, mãos, antebraço, ombros, dorso, tórax do homem e dorso e pernas das mulheres; para prevenir o câncer de pele, evite exposição solar ou lâmpadas de bronzeamento. Se for ficar ao sol por um tempo prolongado, use roupas claras de algodão, de modo a proteger-se da passagem dos raios solares até a pele e permaneça à sombra, quando possível. Use chapéu para proteger seu rosto, pescoço e orelhas; as câmaras de bronzeamento artificial utilizam raios ultravioleta e os fabricantes alegam que são raios UVB “não-lesivos” (atingem as camadas mais profundas da pele). Mas tanto o UVA (atingem as camadas mais superficiais), quanto o UVB provocam danos à pele; Nuvens e água não protegem do sol, pois 60% a 80% dos raios solares atravessam as nuvens e podem atingir nadadores até 25 cm abaixo do nível da água. Os raios solares também são refletidos pela água, neve, concreto e areia branca. A indicação numérica presente nos frascos de filtros solares indica o fator de proteção, ou seja, quantas vezes mais, em minutos, pode-se ficar ao sol, com total proteção. Se o protetor indica, para um certo índice de UVB, que o tempo de exposição é de 5 minutos, com o protetor de fator 15, o paciente poderá ficar 75 minutos ao sol.  Peles mais claras necessitam de protetores com fatores de proteção mais altos. Como regra geral, pode-se utilizar o fator 15, que é muito eficaz, mais barato e, normalmente, suficiente para proteger o tipo de pele um pouco mais bronzeada. Para casos específicos, consulte um médico. O uso do filtro solar pode ou não diminuir o risco de câncer de pele. Se as pessoas ficam mais tempo expostas ao sol por acharem que estão protegidas com os filtros solares, o risco de desenvolver a doença pode até aumentar. É importante certificar-se que o protetor solar foi aplicado nas as áreas mais expostas ao sol, incluindo orelhas, região posterior do pescoço e do couro cabeludo com pouco cabelo. Aplique o filtro novamente a cada hora se estiver suando ou nadando. O protetor solar não é recomendado para bebês menores de 6 meses de idade. Nesses casos, mantenha a criança longe do sol, entre 10h e 16h. Na praia, o reflexo da água e da areia pode queimar a pele sensível do bebê, mesmo sob o guarda-sol. Quanto mais precoce a detecção do câncer de pele, melhor a chance de curá-lo.