Israel fraturou o punho e
precisou de uma cirurgia.

Dados do Ministério da Saúde, apurados entre os anos de 1979 e 1995, demonstram que das 54 mil pessoas que morreram devido a quedas no País, 52% delas eram idosas. Já uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que 66% dos acidentes que ocorrem com o idoso acontecem dentro de casa. As mulheres, segundo o estudo, são as maiores vítimas desses acidentes.

“Costuma-se dizer que entre os idosos os acidentes não acontecem, mas são causados, podendo ser evitados desde que medidas preventivas sejam colocadas em prática”. A afirmação é do geriatra Luiz Bodachne. Ele acrescenta que não é admissível a idéia de que os acidentes são apenas conseqüências do próprio envelhecimento, já que as causas mais comuns – 54% dos casos – estão relacionadas ao ambiente físico, tais como, piso escorregadio ou com desnível, móveis soltos e inseguros, tapetes soltos, camas altas ou baixas demais, objetos espalhado pelo chão, ou iluminação deficiente.

O médico destaca que as quedas acidentais ligadas às condições de saúde do idoso também não podem ser descartadas. Entre os problemas mais comuns estão as modificações fisiológicas do próprio envelhecimento ou a presença de doenças relacionadas a visão, audição, memória, coração, aparelho respiratório e sistema nervoso.

E a dificuldade de visão foi um dos fatores que provocaram a queda do aposentado Israel Jaime Reis. Ele fraturou o punho e precisou passar por uma cirurgia. Por ter condição física boa, avalia o médico, a recuperação deverá ser tranqüila. Mas em outros casos, diz Bodachne, a condição clínica tem papel importante nesse processo. “Por isso tem que se intensificar a prática de atividade física, pois sempre brinco que se ficar parado, enferruja mesmo”, disse.

Prevenção

Uma situação preocupante, na avaliação do médico, é que apenas 20% das quedas representam lesões – que vão desde hematomas até traumatismo de crânio -, mas em 50% dos casos em que é preciso uma intervenção cirúrgica, o idoso perde sua autonomia. “E a cama é o pior recurso para o idoso. A partir daí começam a aparecer outras doenças”, falou. A mulher acaba sendo, estatisticamente, a maior vítimas desse problema. Segundo Bodachne, é porque elas vivem em média oito anos mais que os homens, e lideram os casos de osteoporose – doença que provoca o enfraquecimento dos ossos.

Para reverter esse quadro, o geriatra afirma que a prevenção é o melhor remédio, já que as quedas podem ocorrer durante atividades cotidianas, como andar, cozinhar, trocar uma lâmpada, tomar banho e colocar ou tirar a roupa. Por isso, ele recomenda algumas mudanças de postura e ambiente que podem evitar as quedas e suas conseqüências para o idoso. Entre essas medidas estão adequar o ambiente doméstico, urbano e residências geriátricas às particularidades do idoso.