Bebidas alcoólicas, tabaco, maconha, cocaína e uma série de outras drogas não perdoam. Elas devassam o organismo e a capacidade mental, desestruturam o lar e a escola e, sem dó nem piedade, simplesmente, matam. Ao descobrir que o filho, o aluno, o amigo é usuário de drogas, não entre em pânico. Busque orientação segura e aja rápido. Evite usar a expressão: você é um dependente, um drogado, você deve se internar, inclusive porque a tendência é desmedicalizar e desospitalizar o atendimento e a recuperação do usuário. A solução pode estar dentro da família, da escola, do posto de saúde, do clube, da Igreja, do grupo de oração. O internamento é um ato médico. O uso de droga pode estar associado a outras patologias.
Droga é substância química, natural ou sintética, que provoca danos físicos e alterações psíquicas no consumidor. O uso constante pode alterar o comportamento da pessoa. A overdose tem levado muita gente, principalmente jovens, à morte.
Proximamente, começa a funcionar o Centro de Atenção às Drogas do Paraná, em área anexa ao Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz, sob a orientação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Vai oferecer assistência a dependentes químicos, em regime de internação, visando devolver à pessoa capacidade produtiva e convivência na comunidade. Quando há apoio familiar e aceita ajuda e a abstinência, 33% dos dependentes químicos conseguem recuperação satisfatória.
Atualmente, a família e a escola assumem papel fundamental na prevenção das drogas. A ausência de diálogo entre pais e filhos, alunos e professores compromete a estrutura da personalidade e estimula adolescentes e jovens a buscarem soluções mágicas em lubrificantes sociais. Não raras vezes, para ficar igual aos demais membros do grupo, o adolescente começa a usar drogas lícitas ou ilícitas, como álcool, fumo, ópio, craque. Por isso, a presença física dos pais no lar, no clube e no ambiente escolar facilita conhecer e identificar quaisquer alterações físicas que surjam, comportamentos de inquietação, desconfiança e rebeldia, amizades secretas e indisciplinas dos filhos.
Baixo rendimento escolar, desrespeito às normas institucionais e ausência nas aulas são indicadores que merecem atenção, pois podem revelar sintomatologia perigosa. Nesses casos, ameaçar e fazer pacto com os jovens inviabilizam ações preventivas eficazes. A recomendação é intensificar relacionamentos francos e coerentes, restabelecer a confiança mútua, descobrir caminhos saudáveis e atraentes para todos os integrantes da família, como um passeio no final de semana, caminhadas no parque, visitas a enfermos hospitalizados. Não há medicamentos específicos para tratar a dependência, mas existem substâncias que podem controlar manifestações secundárias apresentadas pelas drogas. A recuperação é feita um dia de cada vez.
Dagoberto Hungria Requião é médico e diretor do Centro de Atenção às Drogas do Paraná e diretor do Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz, integrado à Aliança Saúde da PUCPR. Home page:
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