Pesquisadores de dois departamentos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG descobriram propriedades inovadoras de uma fruta tropical. O látex do mamão da espécie Carica Candamarcensis, só comestível após cozimento, contém proteinases muito eficazes na cicatrização de ferimentos em mamíferos. Coordenada pelos professores Mírian Lopes e Carlos Salas, a pesquisa identificou na fruta características que propiciam o desenvolvimento e proliferação de células de mamíferos. “Algumas frações do látex estimulam a divisão celular”, explica Mírian Lopes.

O início dos estudos remonta às viagens de Carlos Salas pela América Latina, onde, durante a década de 90, estudou propriedades bioquímicas das proteinases do mamão. A partir dali, os pesquisadores, vinculados aos laboratórios de Biologia Molecular de Produtos Naturais e de Substâncias Anti-Tumorais, começaram a investigar os efeitos cicatrizantes do látex sobre lesões na própria planta. “A partir de então, imaginamos o que poderia acontecer nos mamíferos”, conta Salas. O passo seguinte foi o cultivo celular in vitro, em que a proteinase chegou a duplicar o número de células de mamíferos.

Em outra fase da pesquisa, a equipe realizou testes em ratos com úlcera gástrica induzida. Dosagens da proteinase, aplicadas via oral, diminuíram as feridas. “A substância ingerida pelos ratos, que contém frações da proteína, revelou-se boa protetora contra a úlcera”, afirma Mírian Lopes. As proteínas extraídas do mamão também se mostraram eficientes na cicatrização cutânea.

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