O Serviço de Transplante de Medula Óssea, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, é referência na América Latina. Hoje ele é responsável por 40% dos procedimentos dessa natureza realizados no País, estando entre os dezesseis serviços do mundo em número de transplantes realizados – desde sua implantação, em 1979, foram cerca de 1,5 mil transplantes.

O HC também foi pioneiro no transplante de células extraídas do cordão umbilical, e desde 2001 colocou em funcionamento o Banco de Sangue do Cordão Umbilical e Manipulação de Células. Apesar desses resultados positivos, o hospital vem lutando para poder ampliar o número de atendimentos. Atualmente realiza uma média de seis transplantes por mês – de aparentados e não aparentados -, mas tem condições de dobrar esse número. Para isso, necessita ampliar sua estrutura.

De acordo com o diretor- geral do Hospital de Clínicas, Giovanni Loddo, desde a inauguração do Banco do Cordão Umbilical, uma série de bolsas já foram coletadas, mas a maioria foi usada entre irmãos. “Em vários casos, a mulher teve outra gestação para tentar salvar um filho”, disse. Mas a proposta, segundo Loddo, é que o banco possa armazenar mais bolsas para conseguir atingir um número maior de pacientes. Só no HC a fila de espera por um transplante de medula óssea chega a 90 pessoas.

Atualmente, o banco possui 100 bolsas armazenadas, mas a idéia é atingir três mil. Com isso, diz o diretor, o hospital poderia fazer parte de um pool internacional de instituições de transplante, aumentado assim o número de procedimentos. Só para se ter uma idéia, as chances de encontrar um doador compatível que não seja da mesma família é de uma em um milhão. “Com um maior número de bolsas armazenadas aumentam as possibilidades de encontrar um doador compatível”, observa Loddo.

Para que essa demanda seja realizada, o HC precisa de uma verba estimada em US$ 1 milhão. Isso seria investido em equipamentos, laboratórios e pessoal. Segundo o diretor, a logística para conseguir o material para o armazenamento é complicada. Para três mil bolsas, é necessário coletar cerca de seis mil materiais. Metade acaba sendo descartada após a realização de exames para identificar as características do sangue. O diretor do HC conta que havia uma promessa do Ministério da Saúde para o repasse dos recursos, não só para o hospital de Curitiba, mas para outras instituições que atuam na área. Mas ainda não há previsão para a liberação desses recursos, e por enquanto o HC conta apenas com a colaboração da comunidade. “Nós queremos atender à população, mas para isso temos que ter condições”, concluiu Giovanni Loddo.

Ao nascer, bebês podem salvar vidas

A medula óssea é o local de produção das células sangüíneas. Ela é feita através de células progenitoras, que são capazes de se diferenciar para as múltiplas linhagens existentes no sangue. O transplante de medula óssea é a única esperança de cura para várias doenças vinculadas ao sangue, como linfoma e leucemia.

Cerca de 30% dos pacientes que têm indicação para um transplante encontram doadores compatíveis na própria família. O restante precisa buscá-los na comunidade. Esse processo é difícil porque é necessário número muito elevado de voluntários. A doação de medula óssea é um procedimento feito em vida, na faixa etária entre 18 e 59 anos. Como na doação de sangue, o organismo recupera-se rapidamente.

O Hospital de Clínicas da UFPR foi o primeiro da América Latina a realizar o transplante de células extraídas do cordão umbilical. Segundo o diretor-geral do HC, Giovanni Loddo, o sangue – cerca de 400 ml – é retirado da placenta e parte do cordão umbilical, que são descartados após o parto. O diretor explica que esse material concentra um grande número de tronco, ideais para o transplante.