Não estranhe se você nunca ouviu falar na síndrome do X-Frágil. Embora seja muito freqüente, é pouco conhecida, mesmo sendo considerada uma das causas mais comuns de retardo mental hereditário e a segunda síndrome genética mais freqüente, perdendo apenas para a síndrome de Down. O nome X-Frágil se deve a uma fragilidade detectada no cromossomo X, um dos que determinam o sexo (XY nos homens e XX nas mulheres). Essa falha resulta em um conjunto de sinais e sintomas clínicos. As pessoas afetadas apresentam atraso no desenvolvimento, problemas de comportamento e, eventualmente, características físicas peculiares.

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As características dos portadores da síndrome do X-Frágil vêm sendo observadas há muitos anos em pessoas com atraso de desenvolvimento. As estatísticas apontam que ela se manifesta mais em homens do que nas mulheres (um em cada 2 mil homens e um em cada 4 mil mulheres). O geneticista Salmo Raskin aponta que uma das maiores dificuldades é de se diagnosticar a síndrome, devido ao seu caráter hereditário, assim, o X-Frágil pode atingir várias pessoas de uma mesma família. ?Os sintomas começam a aparecer nas crianças em idade escolar?, explica.

Sem características físicas

Nessa idade, segundo o geneticista, começam a surgir atrasos no desenvolvimento, dificuldades na fala e no aprendizado. ?O tipo físico do portador da doença não traz características próprias, por isso, a síndrome é quase desconhecida da população e, também, de boa parte dos médicos?, salienta. Os sintomas se confundem com outros distúrbios do desenvolvimento e a presença da síndrome precisa ser confirmada por meio de exames genéticos especializados.

O maior inimigo do portador da síndrome é o desconhecimento e o conseqüente despreparo da população e de boa parte dos médicos para lidar com o problema. Quem afirma é a presidente da Associação X-Frágil do Brasil, Lúcia Pimenta, mãe de um portador da síndrome. ?A verdade é que se perde um tempo precioso demais até o diagnóstico. Meu filho, por exemplo, hoje adolescente, só foi diagnosticado aos seis anos de idade?, frisa.

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Atualmente, as pesquisas genéticas se concentram em uma importante proteína existente no cromossomo X. Segundo Raskin, a falta dessa proteína faz surgir algumas alterações características da síndrome. A sua ocorrência é mais comum em indivíduos do sexo masculino porque as mulheres possuem dois cromossomos X, assim elas possuem maiores chances de um compensar a eventual falha do outro. A síndrome, conforme o médico, se manifesta de formas variadas, podendo causar desde dificuldades motoras e/ou intelectuais leves e moderadas até retardo mental mais profundo.

Em cada fase, uma característica

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Na infância: hiperatividade, déficit de atenção, problemas na fala, alguns traços de autismo.

Na idade escolar: fala repetitiva, imitações, maneirismo com as mãos, agressividade.

Na puberdade: orelhas grandes, faces alongadas, testículos aumentados, queixo proeminente, pés planos, perímetro cefálico aumentado.

Na adolescência: tendência ao isolamento, timidez.