ortopedia311007.jpgMarina Antunes sabe bem o que é uma fratura por estresse. Depois de iniciar os treinos, com o objetivo de participar de sua primeira maratona, foi pega de surpresa pelo diagnóstico desse tipo de fratura. ?Uma dorzinha que me incomodava ora sim, ora não que me deixava sem condições de correr me preocupou e procurei auxílio médico. Depois de passar por vários testes, foi um exame de raio-X específico que identificou o problema. A corredora teve de interromper os treinamentos e adiar o sonho da sua primeira prova de longa distância. ?Agora só me dedico à recuperação?, resigna-se.

Não importa se é um atleta profissional, de fim de semana ou iniciante em academia de ginástica. Todos, assim que perceberem qualquer tipo de desconforto, devem procurar auxílio especializado e investigar melhor, afinal a fratura por estresse chega de mansinho e de forma silenciosa. ?É como um clipe metálico que se quebra após ter sido utilizado inúmeras vezes para prender papel?, compara o ortopedista da Clínica do Joelho Edílson Thiele, salientando que a fratura ocorre em conseqüência de uma sobrecarga de exercícios repetitivos.

Nos atletas amadores e mesmo nos profissionais, as fraturas por estresse têm várias causas, entre elas, o aumento da carga aplicada ao osso, o aumento de repetições do exercício, e o cansaço muscular excessivo que desequilibra o apoio dos membros e causa uma sobrecarga maior nas articulações. ?Além disso, a prática de esportes em superfícies duras e o uso inadequado de calçados também agravam o problema?, ressalta.

Difícil visualização

Conforme o ortopedista, o primeiro sinal de fratura por estresse é a dor, que pode ser de moderada à intensa, mas apesar disso não é de fácil diagnóstico, já que é confundida com alguma dor muscular e não é detectada, em estágio inicial, pelo raio X convencional. Desta forma, a fratura só é percebida quando há formação de um calo ósseo, pela união de microfraturas, geralmente, entre a 1.ª e a 3.ª semana. Esportistas que são obrigados a executar movimentos repetitivos estão mais propensos à doença. Além de tenistas, maratonistas e jogadores de futebol, bailarinas e militares são os que mais sofrem do problema. O portador sente dor em determinado local, que piora com o apoio ou no caminhar e melhora com o repouso. Para se detectar mais cedo o problema é necessário uma cintilografia óssea ou uma ressonância magnética.

A dor faz com que a pessoa diminua naturalmente a carga de esforços repetitivos, e esse é um sinal importante a ser respeitado. A partir daí, deve-se, sem demora, procurar ajuda especializada. Para Edílson Thiele a primeira atitude a ser tomada é suspender todos os exercícios e treinamentos. Outra ação é reavaliar as sessões de treinamento, intercalando movimentos e grupos musculares diferentes, a fim de evitar sobrecarga e fadiga. O tratamento depende do local da fratura. O especialista explica que o objetivo inicial é controlar e diminuir a dor. Algumas vezes, se imobiliza com gesso e, em outras, apenas o enfaixamento e um período de repouso são suficientes para consolidar a fratura. Os casos mais graves são tratados cirurgicamente.

Alguns anos atrás, Marilene Rosa também teve de suspender seus treinamentos. Ela corria cinco vezes por semana e ainda praticava ciclismo e musculação. O motivo do abandono foram quatro fraturas por estresse (duas em cada perna) que a deixaram fora das atividades físicas por um bom tempo. ?Comecei a sentir uma dorzinha chata na panturrilha e achei que era algum tipo de distensão, só depois dos exames é que ficaram constatadas as fraturas?, comenta a atleta que, depois do tratamento retornou normalmente às suas corridas.

De onde vem o risco de lesões

* Erros de treinamento – aumento brusco da intensidade dos treinamentos; intervalo de repouso insuficiente; uso de calçado impróprio; treino em piso inadequado

* Diabetes ou alterações de tireóide

* Tabagismo

* Alcoolismo

* Causas anatômicas – diferença de comprimento entre as pernas, forma errada de pisar, assimetria muscular

Onde dói mais

1 – As fraturas por estresse são responsáveis por cerca de 30% das lesões nos pés

2 –  Saltadores e corredores correm mais riscos de fraturas na tíbia

3 –  Fraturas no fêmur são mais comuns em corredores, já que nesta a atividade o peso corporal sobre essas estruturas aumenta cerca de três vezes

4 –  Devido a repetição dos movimentos de torção, praticantes de salto em altura, arremesso de peso e ginastas, correm mais risco de sofrer lesões na coluna