A enfermeira curitibana Maria da Graças, de 35 anos de idade, faz parte de um número importante de mulheres que resolveu fazer laqueadura para não ter mais filhos, além dos dois do seu primeiro casamento. Ela só não esperava que depois de passados seis anos da cirurgia, estaria separada e casaria de novo com um homem que não tem filhos e que não esconde a sua intenção de tornar-se pai de um filho dela. Contrário ao que se comenta popularmente, o ginecologista e especialista em reprodução humana Karam Abou Saab explica que a laqueadura pode ser revertida por meio de procedimentos simples e com ótimos resultados, não servindo de impedimento para novas gestações.

No Brasil, cerca de 42% das mulheres em idade fértil estão laqueadas, enquanto que apenas 1% dos homens, por medo ou preconceito, fazem vasectomia. O médico esclarece que a laqueadura pode ser desfeita em qualquer tempo, respeitando a idade do paciente (o auge da fertilidade é entre 20 a 30 anos e até 35 anos), e o sucesso fica em torno de 80%. No caso de não se conseguir reverter essa situação ou quando o casal opta por ter apenas mais um filho, a fertilização in vitro consegue resolver a questão sem exigir a reversão da laqueadura.

Fertilização in vitro

"Vale lembrar que pacientes acima de 37 anos têm um benefício ainda maior com a fertilização in vitro, já que a partir desta idade há uma queda grande na fertilidade", reforça o especialista em reprodução humana Marcelo Cequinel, da Embryo Centro de Reprodução Humana, em Curitiba. O médico explica que o índice de aceitação da reversão só é alcançado se houver uma boa condição tubária. A área lesada deve ser pequena, numa região localizada no meio da trompa e com um tipo de laqueadura propícia. "Mesmo assim, a reversão da laqueadura não assegura que a trompa vai voltar a funcionar regularmente", frisa.

Cequinel explica que os métodos mais comuns são cauterização e corte das trompas, colocação de um anel, ligadura e corte. O objetivo sempre é impedir o contato entre o óvulo e os espermatozóides, por meio da obstrução tubária. O médico explica que, de acordo com a legislação brasileira, só podem fazer laqueadura mulheres com mais de 24 anos, com pelo menos dois filhos, com uma relação estável e no mínimo três meses depois de um parto.

A primeira etapa para uma reversão é a análise da sua viabilidade, por meio de um exame de videolaparoscopia. Quando existe essa possibilidade, explica Karam Saab, faz-se uma cirurgia nos mesmos moldes de uma cesariana. Dura cerca de uma hora e meia, é realizada com anestesia peridural, com a paciente se internando pela manhã e tendo alta à noite. Em uma semana ela já pode voltar às suas atividades normais. Um mês depois, se tudo correr bem, já pode engravidar. "Se a cirurgia falhar ou o casal preferir, a opção da fertilização in vitro simplificada tem excelentes resultados", ressalta Marcelo Cequinel.