Fase da Lua influencia na leishmaniose

Um estudo realizado pela doutora em biologia parasitária Nataly Araújo de Souza, pesquisadora associada da Fundação Oswaldo Cruz, indica que os hábitos do inseto transmissor do protozoário responsável pela leishmaniose tegumentar são influenciados pelas fases da Lua. Segundo a pesquisadora, há uma maior incidência dos insetos Lutzomyia intermedia e Lutzomyia whitmani, também conhecidos como mosquito-palha, picarem humanos, em noites de lua cheia. A leishmaniose tegumentar, dependendo da cepa, provoca úlceras nos locais em que houve a picada do inseto.

Nataly diz que os dados fazem parte de sua tese de doutorado finalizada em 2003 no Rio de Janeiro, que estudou a sazonalidade  no ritmo de atividade e influências do ambiente no comportamento desses insetos. As pesquisas da bióloga com o ?mosquito-palha? iniciaram em 1998. Ela explica que passou dois anos coletando insetos uma vez por semana e que pôde verificar a maior incidência das fêmeas dos insetos procurando ?iscas humanas? em noites de lua cheia, pois nesses dias a mata fica mais iluminada. ?Em contrapartida, nas noites de lua nova, as armadilhas de luz do tipo CDC (Central Disease Control) competiam com a luminosidade lunar, o que aumentava a quantidade de animais capturados?, afirma.

A pesquisadora explica que o protozoário Leishmania brasiliensis parasita os macrófagos, células do sistema imunológico. ?Há algumas formas de leishmaniose incuráveis. Isso ocorre em lugares como a Amazônia, por exemplo?. Segundo ela, no Rio de Janeiro a doença é curada por meio de medicamentos, mas, por parasitar as células de defesa (os macrófagos), adquire um aspecto complexo. A manifestação e a cura podem variar de pessoa para pessoa.

No Paraná

O médico responsável pela epidemiologia de leishmaniose na Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, Alceu Bisetto, afirma que a maioria dos casos da doença acontece na zona rural, sendo mais comum nas regiões da Bacia do Ivaí e na Bacia do Ribeira. ?Em Curitiba e no Sul do Estado não há incidência de leishmaniose tegumentar porque o clima mais frio não é propício para a sobrevivência do inseto. É mais freqüente de acontecer em partes da região Norte, Oeste, Noroeste e Sudoeste do Paraná?.

O aumento de casos registrados em 2002 e 2003, segundo Bisetto, pode ter acontecido devido a variações climáticas da época, que podem ter favorecido o aumento dos insetos no Paraná, onde são conhecidos também como ?mosquitos-pólvora?. Ele diz que o inseto se desenvolve em material orgânico em decomposição, sendo, por isso, muito importante que moradores da zona rural não criem animais muito próximo de suas casas. ?Orientamos que a população procure deixar os galinheiros e chiqueiros longe dos domicílios e a não fazer as casas perto da mata. Isso porque se as fêmeas dos insetos, que são hematófogas, não encontrarem algum animal no caminho, irão procurar pessoas para se alimentar.?

Segundo Bisetto, a leishmaniose tegumentar no Paraná tem cura. ?Ocorre há muito tempo e não é possível sua erradicação atualmente.?

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