Cientistas americanos e britânicos identificaram, através da análise detalhada de ondas elétricas cerebrais, uma falha que pode explicar os sintomas da esquizofrenia e abrir um caminho histórico para sua cura. O estudo foi feito por médicos da Harvard Medical School (HMS) dos Estados Unidos e publicado na revista especializada "Proceedings of the National Academy of Sciences". Segundo o trabalho, as células cerebrais, ou neurônios, que intercambiam informação sobre o meio ambiente e que formam impressões mentais, são menos ativas em pessoas que sofrem esquizofrenia.

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Essa descoberta pode explicar por que os pacientes esquizofrênicos sofrem alucinações e outras desordens mentais características da doença.

Os pesquisadores analisaram os parâmetros das ondas elétricas cerebrais em 20 pacientes com esquizofrenia e em 20 sadios.

Os participantes tiveram de olhar uma de duas imagens que continham quatro figuras do popular videogame PacMan. Em uma das imagens, as quatro figuras foram acomodadas de tal forma que sugeriam ao olho humano um quadrado no centro. Os pacientes deviam pressionar um botão quando percebiam esse quadrado. Durante esse procedimento, os médicos monitoraram as ondas cerebrais elétricas.

A tabela de ondas elétricas para pacientes normais é: delta, para menos de 4 hertz durante o período de sono; alfa, entre 8 e 13 hertz durante períodos de relaxamento; beta, entre 13 e 30 hertz em momentos de pensamento ativo, e ondas gama, entre 30 e 100 hertz quando ocorrem altas atividades mentais.

Ambos os grupos deviam responder em questão de segundos, mas os que sofriam de esquizofrenia cometeram mais erros e demoraram cerca de 200 milissegundos a mais para processar as imagens.

Quando os cientistas analisaram as ondas cerebrais descobriram que os pacientes esquizofrênicos não registravam atividade elétrica alguma em certas partes do cérebro, quando decidiam qual botão pressionar. Os pacientes sadios, porém, mostraram uma atividade cerebral com ondas gama, indicando que seus cérebros processavam a informação visual para guiar suas respostas.

"Encontramos uma diferença dramática nos dois grupos de pacientes. Os pacientes esquizofrênicos não mostraram nenhuma resposta de atividade elétrica cerebral gama", declarou o doutor Robert McCarley, chefe da pesquisa. "Se as comunicações mais eficientes entre os neurônios ocorrem a 40 hertz e os esquizofrênicos utilizam uma freqüência menor, é muito provável que possuam uma deficiência de comunicação entre seus neurônios e certas regiões do cérebro", afirmou o pesquisador.

Para McCarley, certas drogas que produzem respostas de ondas gama "poderiam ajudar a controlar a esquizofrenia". Marjorie Wallace, diretora-executiva da organização de caridade para doentes mentais SANE, afirmou, por sua vez: "Esse estudo pode ajudar enormemente os pacientes com esquizofrenia, que percebem o mundo de maneira completamente diferente das pessoas sem problemas".

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