Médica verifica pressão ocular de paciente
na Boca Maldita, Centro de Curitiba.

Os curitibanos que passaram na manhã de ontem pela Boca Maldita puderam fazer exames gratuitos para detectar o glaucoma, uma doença causada pelo aumento da pressão dentro do globo ocular, que danifica o nervo óptico e pode levar à cegueira. Os exames também são feitos nas 104 unidades de saúde da cidade. Depois de passar por uma avaliação com o clínico geral, se existir suspeita da doença, o paciente é encaminhado para tratamento especializado com oftalmologista.

A Secretaria Municipal da Saúde também oferece orientação sobre a saúde dos olhos no ônibus Visão Saudável, em parceria com o setor de oftalmologia do Hospital Evangélico. Durante o ano todo o ônibus, especialmente adaptado para o atendimento, percorre as unidades de saúde em eventos especiais.

Os grupos de risco do glaucoma são pessoas de meia idade e idosos, especialmente diabéticos e hipertensos. A Associação Paranaense dos Portadores de Glaucoma estima que 15 mil curitibanos tenham a doença, e uma boa parte só vai descobrir o problema quando ele já estiver prejudicando a visão.

Ontem, os exames foram realizados por equipes médicas do Hospital de Olhos de Curitiba, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC), em parceria com a Sociedade Paranaense de Oftalmologia.

A aposentada Maria José da Costa, de 76 anos, ficou sabendo dos exames pelo rádio. Acordou cedo e saiu de Almirante Tamandaré para fazer o exame. Além de estar na idade de risco para o glaucoma, ela também teve casos da doença na família. “Deu tudo normal, felizmente, mas se a gente não cuida pode ter uma surpresa ruim”, disse.

Sintomas

Os sintomas do glaucoma aparecem de uma hora para outra, embora o paciente já tenha começado a desenvolver a doença muito tempo antes. “Por isso é importante fazer a prevenção, pois a doença vai ?comendo pelas beiradas? e levando a pessoa a ficar cega”, alerta o presidente da Associação Paranaense dos Portadores de Glaucoma, Afonso Celso Camargo.

O glaucoma do tipo crônico de ângulo aberto é o mais comum. Ocorre em 80% dos casos e não apresenta sintomas no início. Se não for tratado logo, com o tempo o paciente pode perder totalmente a visão.

No glaucoma de pressão normal, o dano ao nervo óptico e o estreitamento da visão lateral ocorrem inesperadamente. O que é comum na doença é que raramente o paciente apresenta sintomas bem definidos, como dor nos olhos ou ao redor deles, e alteração da visão. Na maioria dos casos, o problema evolui lentamente sem que o paciente note a perda gradual da visão periférica.

A doença pode ser também do tipo ângulo fechado. Nesse caso, ocorre o aumento súbito da pressão ocular. Os sintomas são dor intensa e náusea, vermelhidão ocular e visão embaçada. Sem tratamento, o paciente pode ficar cego em apenas um ou dois dias.

Nos casos congênitos, a criança apresenta sintomas como olhos embaçados, sensibilidade à luz e lacrimejamento excessivo. O tratamento sugerido é a cirurgia. Há também os glaucomas secundários, decorrentes de outras doenças, como cataratas avançadas, lesões oculares e alguns tipos de tumor ou uveíte (inflamação ocular).