A estação mais quente do ano costuma ser um convite para as pessoas passarem horas a fio sob o sol, seja nas piscinas ou a beira-mar.

Por outro lado, a exposição exagerada ao sol passa a ser sinônimo de problemas na pele, que vão desde alguns inocentes vermelhões até os casos mais graves, que podem levar ao câncer da pele.

As estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para o biênio 2010/2011 é de 489 mil novos casos de câncer ao ano, sendo 120 mil deles de pele, incluindo melanoma, o mais agressivo dos tumores cutâneos.

Não é para menos, os tumores de pele representam 25% os casos de câncer registrados no Brasil. A boa notícia é de que se a lesão for descoberta logo no início, com profundidade inferior a 1 milímetro na pele, a chance de cura é de 90%.

Há onze anos, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) desenvolve uma campanha nacional de prevenção ao câncer da pele, repassando informações sobre a doença e orientando sobre as formas de prevenção.

Mesmo assim, ano após ano, o alerta continua sendo necessário: a melhor maneira de se evitar queimaduras, vermelhidão, envelhecimento precoce e câncer de pele é não tomar sol entre as 10 e 16 horas, usar chapéu e guarda-sol nas piscinas e praias. Tudo isso, sem esquecer do protetor solar – com o mínimo de 15 FPS (fator de proteção solar).

Efeitos cumulativos

O conselho vale para todas as idades, mas principalmente para quem tem até 20 anos. Segundo a dermatologista Annia Cordeiro Lourenço, mesmo antes das dez horas ou depois das 16 horas, considerados horários “bons” para tomar sol, as pessoas também correm o risco de sofrer os efeitos nocivos do sol.

“O raio ultravioleta A (UVA) é emitido continuamente ao longo do dia, piorando manchas já existentes, destruindo o colágeno, envelhecendo precocemente a pele e podendo causar até melanomas”, destaca.

Os especialistas confirmam que 70% a 80% dos efeitos maléficos do sol são produzidos nas primeiras décadas de vida.

Mas eles só vão aparecer depois dos 40 anos de idade, quando a pele perder a elasticidade e começam a surgir os sinais do envelhecimento.

Na verdade, os efeitos do sol são cumulativos e, mesmo que ainda não possam ser vistos, já estão lá, definindo como será a pele da pessoa no futuro.

Denise Steiner, doutora em dermatologia, recomenda que, ao primeiro sinal de manchas na pele, a pessoa deve procurar auxílio especializado.

“A boa notícia é que, para tratá-las, a indústria farmacêutica vem disponibilizando produtos mais eficazes”, reconhece.

Hoje, existem novos conhecimentos que tornam os cuidados ainda mais importantes. Com efeito, a especialista tem alertado para a existência de uma relação íntima entre as radiações e o melanoma maligno, a forma mais grave de câncer da pele.

De acordo com os especialistas, a principal arma para proteger a pele ainda é a prevenção. A segunda é o filtro solar. Como cada tipo de pele pede um grau maior ou menor de proteção, é preciso ficar atento e não dispensar o uso do filtro.

Isso serve, também, para os dias nublados. Só que os fotoprotetores devem ser usados da maneira correta, pois, ao contrário, pode-se se sentir uma falsa proteção que acabam se tornando ainda mais prejudiciais.

Rápida progressão

Escolher um filtro solar que realmente proteja a pele é essencial. “Varia muito a composição dos protetores solares e, com isso, também a sua eficácia”, alerta Annia Lourenço salientando que a espessura da camada aplicada também altera completamente o resultado. “O correto é aplicar uma camada mais grossa, o equivalente a meia colher de chá, para a face e o pescoço”, recomenda.

O excesso de exposição cumulativa ao sol desde o nascimento é o maior fator de risco no envelhecimento.

De acordo com a SBD, há cada vez m,ais concentração de casos de câncer não melanoma por volta dos 70 anos de idade, causada pelo avanço da expectativa de vida da população e, consequentemente, da exposição ao sol sem proteção ao longo dos anos.

As últimas pesquisas indicam que dos novos casos informados, mais de 50% afetam pessoas com mais de 70 anos.

Embora seja mais frequente em idosos, o câncer de pele, assim como as demais doenças cutâneas, pode acometer pessoas em qualquer faixa etária. De acordo com o oncologista João Duprat Neto, a avaliação com um dermatologista é indicada a partir da adolescência.

No caso do melanoma, quando o diagnóstico é tardio as taxas de cura são inferiores a 5%. “A evolução do estágio inicial para o avançado ocorre rapidamente, em média entre dois meses e um ano”, compelta o médico.

Cuidados com a pele

* Evitar exposição solar em qualquer horário, principalmente na faixa entre 10 e 16 horas (horário de verão)
* Fazer uso de chapéus, camisetas e protetores solares
* É importante que as barracas usadas na praia sejam feitas de algodão ou lona, que absorvem 50% da radiação ultravioleta.
As barracas de nylon formam uma barreira pouco confiável: 95% dos raios UV ultrapassam o material
* Para o uso de filtros solares, é sugerida a reaplicação a cada duas horas. O ideal é que o fator de proteção solar (FPS) seja, no mínimo, 15
* Em hipótese alguma o bronzeamento artificial pode ser considerável saudável para a pele.

Fique atento aos primeiros sinais

* Um crescimento na pele de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida
* Uma pinta preta ou castanha que muda sua cor, textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho
* Uma mancha ou ferida que não cicatriza, que continua a crescer apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento.

O filtro não é bloqueador

A principal arma para proteger a pele é o filtro solar. Como cada tipo de pele pede um grau maior ou menor de proteção, é preciso ficar atento e não dispensar o filtro. Isso serve, também, para os dias nublados.

Não esqueça

* Para a maioria das pessoas, o fator de proteção solar 15 é suficiente
* No rótulo do produto deve conter a indicação “proteção contra raios UVA e UVB”
* O filtro deve ser aplicado sobre a pele limpa e seca e reaplicado a cada duas horas para manter a proteção
* O uso de chapéu ou boné não deve ser descartado
* Camisetas ajudam a impedir a passagem do sol
* Evite longos períodos sob o sol, mesmo com proteção