São Paulo – O medicamento Crestor, usado no controle do colesterol e cujo princípio ativo é a rosuvastatina, tem o pior perfil de risco entre os remédios da mesma família – as estatinas. Ele apresenta de duas a seis vezes mais possibilidade de causar complicações depois de um ano de consumo segundo estudo da Associação Americana de Cardiologia, que associa o remédio do laboratório britânico AstraZeneca a problemas renais e musculares que exigem internação. A divulgação da pesquisa, no jornal Circulation, ocorre um mês depois de o Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regula medicamentos, ter assegurado que o remédio não era mais perigoso do que as outras estatinas.

As estatinas fazem parte da última geração de remédios de combate ao colesterol. Elas agem no fígado – órgão onde é sintetizado o colesterol -, inibindo a ação de uma enzima

(HMG-CoA) fundamental na formação do colesterol. Há quatro grandes tipos de estatina no mercado: sinvastatina, atorvastaina, rosuvastatina e pravastatina.

?Os efeitos colaterais apontados no estudo são previstos para esse tipo de remédio?, diz Ricardo Pavanello, cardiologista do Hospital do Coração. ?E é por isso que o médico deve monitorar a função hepática e muscular do paciente.? Vale lembrar que em 2001, a Bayer tirou do mercado uma estatina, a cerivastatina. Nos Estados Unidos, 31 mortes foram atribuídas aos efeitos colaterais da droga, como a rabdomiólise, síndrome causada por danos musculares.