O Brasil sediará, pela primeira vez, o GOLD Latina (Guidance for Opinion Leader on Diabetes – Latina), um programa global de educação continuada no diagnóstico e controle do diabetes, apoiado pela GlaxoSmithKline. O encontro reunirá 100 especialistas de oito países da América Latina, durante os dias 4, 5 e 6 de dezembro. A idéia do GOLD é reforçar junto aos médicos latino-americanos que o diagnóstico precoce, aliado ao tratamento correto do diabetes reduz as conseqüências irreversíveis do avanço da doença, assim como previne o surgimento de novos casos. Esses líderes de opinião serão os responsáveis pela educação dos clínicos gerais, que tratam a maioria dos pacientes com diabetes.

Por ser o Brasil país sede do GOLD, os médicos nacionais serão maioria no evento ? ao todo 75 brasileiros discutirão mais detalhadamente o quadro internacional da doença, tornando-se futuros multiplicadores para a classe médica e para a população.

Representantes de outros países latino-americanos, como Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela também estarão presentes. Nomes como Steven Smith,- pesquisador da rosiglitazona; Pablo Aschner, do conselho diretor da IDF – Federação Internacional de Diabetes; Antônio Chacra presidente da ALAD ? Associação Latino-Americana de Diabetes; José Egydio de Oliveira presidente da SBD ? Sociedade Brasileira de Diabetes; e Fadlo Filho da ANAD – Associação Nacional de Assistência ao Diabético, são referências internacionais sobre o assunto e, pela primeira vez, estarão reunidos no Brasil.

O diabetes é uma doença degenerativa. A OMS já considera o problema uma epidemia mundial e estima que, até 2025, o número de diabéticos dobre, atingindo 300 milhões de pessoas. O mais incrível é que existem registros de que a doença exista há mais de 2.000 anos e o número de mortes relacionadas a ela continua assustador. Por esse motivo, já se fala em uma mudança radical no conceito do tratamento do diabetes. Antes uma enfermidade que se acreditava causada pela inexistência ou deficiência de produção da insulina pelo pâncreas, agora é compreendida por especialistas como uma doença cuja principal necessidade é o tratamento da resistência à insulina, que é produzida em grandes quantidades até superiores às normais porém incapaz de atuar sobre os órgãos-alvo.

O pâncreas de um diabético tipo 2 demora entre 10 e 20 anos para entrar em falência e deixar de produzir o hormônio. A prioridade no momento então, é tratar a resistência sem prescrever a insulina artificial ao paciente já que, em excesso, o hormônio pode causar hipoglicemia e outras complicações cardiovasculares diversas. Existe a necessidade de intervenção precoce sobre o fenômeno da resistência à insulina – evento que é a base fisiopatológica para o desenvolvimento do DM2, e que pode preceder em mais de 1 década o seu diagnóstico.

Pioneiro na mudança do conceito do tratamento do diabetes vem ao Brasil

Autor de mais de 70 artigos publicados sobre técnicas de tratamento da doença, Stephen Smith estuda há mais de vinte anos substâncias que combatem a resistência à insulina, principal causa do aumento do número de casos de diabetes no mundo e indiretamente responsável pela falência do pâncreas podendo levar a conseqüências graves como amputações e cegueira. Smith é descobridor da rosiglitazona, a mais moderna e eficaz substância no combate ao diabetes tipo 2, considerada a mais promissora terapia para o tratamento da doença. Em 2001, teve seu trabalho reconhecido ao ganhar o prêmio da Sociedade Britânica de Pesquisa Clínica pela descoberta da rosiglitazona. Atualmente, existem 150 milhões de diabéticos no mundo.

Destes, apenas 10% sofrem do tipo 1 da doença (insulinodependentes). Os outros 90% lutam para controlar o DM2 sem precisar tomar insulina injetável. Atualmente, a rosiglitazona é utilizada por mais de cinco milhões de diabéticos no mundo. A substância, que além de baixar os níveis glicêmicos, atua prevenindo complicações cardiovasculares.

Segundo estudo da Universidade de Stanford, a rosiglitazona é capaz de reduzir em até 70% os níveis de determinadas substâncias associadas à inflamação vascular, à arteriosclerose, ao infarto do miocárdio e derrame cerebral (AVC). Estas complicações são as principais causas de mortalidade em pacientes diabéticos e os medicamentos tradicionais para combater a doença não se mostraram capazes de reduzir a incidência delas.

O aumento do diabetes na América Latina

Os 21 países da América Latina, que juntos somam quase 500 milhões de habitantes, possuem uma população de 15 milhões de diabéticos. A estimativa é de que esse número dobre nos próximos 20 anos. Esse crescimento se deve principalmente a questão racial, aos hábitos de vida, à obesidade e ao envelhecimento da população. A prevenção e o tratamento das doenças crônicas não transmissíveis são consideradas prioridades nos países onde os recursos antes eram destinados aos problemas materno-infantis.

Estudos em comunidades nativas latino-americanas demonstraram uma alta propensão de desenvolvimento do diabetes e outros problemas relacionados à síndrome de resistência à insulina, que surge com a progressiva mudança nos hábitos de vida. Atualmente, entre 20 e 40% da população da América Central e da região Andina ainda vive em condições rurais, mas a acelerada migração para os grandes centros urbanos provavelmente influencia na incidência da doença.

A prevalência da doença nas zonas urbanas oscila entre 7 e 8 %, enquanto nas zonas rurais varia entre 1 e 2%. O México lidera o ranking dos países com maior prevalência da doença, em segundo lugar, está a Bolívia.

A resistência á insulina aumenta por fatores externos relacionados com hábitos de vida pouco saudáveis como a obesidade (principalmente na região abdominal) o sedentarismo, o tabagismo e a hipertensão arterial.

Gold Latina

Local: Av. das Nações Unidas, 12.901 – Brooklin Novo – São Paulo ? Hotel Hilton Morumbi
Data: 4, 5 e 6 de dezembro

Novas diretrizes para o pré-diabetes

A Associação Americana de Diabetes divulgou, em novembro, novas diretrizes para o diagnóstico de “intolerância à glicose” ou estágio de pré-diabetes. O limite aceitável de glicose no sangue foi reduzido em 10%, caindo de 110mg/dl para 100mg/dl, o que traz alguns milhões de pessoas para este diagnóstico. Durante os muitos anos que o paciente passa no estágio de pré-diabetes já ocorre gradual deterioração dos sistemas orgânicos, principalmente em nível cardiovascular.

Mais da metade dos pacientes que chegam ao estágio pré-diabético desenvolvem a doença.

Além disso, diabéticos têm risco 3 a 5 vezes maior de infarto e AVC, se comparados a não-diabéticos da mesma idade. O Brasil aumenta, cada vez mais, sua população de obesos, principalmente entre as crianças. Já está comprovado que a obesidade é um dos principais fatores de risco para o diabetes. Outros estudos mostram que, ao ser diagnosticado o diabetes, mais da metade dos pacientes já apresentam complicações.

Embora atualmente a mudança de estilo de vida (dieta e exercícios) seja a única conduta oficialmente recomendada neste estágio da doença, já há muitas associações e especialistas que advogam o uso precoce de medicação sensibilizadora à insulina como as glitazonas.

Hoje, o Brasil tem 10 milhões de diabéticos. Estima-se igual quantidade de pacientes no estágio de “pré-diabetes” (a população do estado do Rio de Janeiro).

A OMS estima que existam 170 milhões de diabéticos no mundo e já faz um alerta sobre a epidemia mundial. Nos Estados Unidos, a obesidade e o diabetes (DM2) representam 2 das 3 prioridades do orçamento norte-americano em saúde para os próximos 5 anos.

Ainda não existe, no momento, nenhum programa oficial das sociedades médicas ou do Governo, para o tratamento da resistência à insulina ou do estado “pré-diabetes”.

Conceito do tratamento do diabetes muda no mundo

Novas drogas proporcionam benefícios cardiovasculares. O diabetes, que antes era uma enfermidade caracterizada pela inexistência ou deficiência de produção da insulina pelo pâncreas, agora já é notada por médicos como uma doença cuja principal necessidade é o tratamento da resistência à insulina. Pesquisas provaram que o pâncreas de um diabético tipo 2 demora entre 10 e 20 anos para entrar em falência e deixar de produzir o hormônio.

A prioridade no momento é tratar a resistência sem prescrever a insulina artificial ao paciente já que, em excesso, o hormônio pode causar hipoglicemia e outras complicações.

A necessidade de intervenção precoce sobre o fenômeno da resistência à insulina ? evento que é a base fisiopatológica para o desenvolvimento do DM2 – pode preceder em mais de uma década o seu diagnóstico. O DM 2 mata de 5 a 7 vezes mais por doenças cardiovasculares do que outros problemas.

Atualmente existem 170 milhões de diabéticos no mundo. Destes, apenas 10% sofrem do tipo 1 da doença (insulinodependentes). Os outros 90% lutam para controlar o DM2 sem precisar tomar insulina injetável.

Recente estudo realizado pelo Professor Gerald Reaven, da Universidade de Stanford, constatou que os benefícios com o uso de AVANDIA (medicamento que tem como princípio ativo a rosiglitazona), são muito maiores que a simples normalização das taxas de glicose no sangue. Na pesquisa, a rosiglitazona foi capaz de reduzir em até 70% os níveis de determinadas substâncias associadas à inflamação vascular, à arteriosclerose, ao infarto do miocárdio e derrame. Estas complicações são as principais causas de mortalidade em pacientes diabéticos e os medicamentos tradicionais para combater a doença não se mostraram capazes de reduzir a incidência delas.

Já o Departamento de Endocrinologia e Diabetes da Universidade de Israel comprovou que o uso da rosiglitazona reduziu a hiperinsulinemia e aumentou significativamente a elasticidade das artérias diminuindo a pressão arterial dos pacientes. A arteriosclerose (enrijecimento das artérias) e a aterosclerose (deposição de placas de ateroma nos vasos sangüíneos) são componentes da síndrome plurimetabólica, principal causa de morte em pacientes com DM2. Diabéticos têm risco 3 a 5 vezes maior de infarto e AVC se comparados a não-diabéticos da mesma idade.

Outra pesquisa, desta vez realizada pela Universidade de Yonsei, na Coréia do Sul, provou que a substância pode reduzir em até 75% os casos de reobstrução do “stent” (prótese colocada no vaso antes obstruído para reabri-lo e mantê-lo dilatado, em substituição á cirurgia convencional de “ponte de safena”). A reobstrução vascular, além de ser a principal causa de morte neste grupo de pacientes, ocorre em até 50% dos diabéticos que foram submetidos à angioplastia. O autor da pesquisa, Dr. Bong Soo Cha, ainda submeteu pacientes não diabéticos à administração do medicamento.

Estes apresentaram índices de reobstrução menores que os habituais, sugerindo importantes benefícios cardiovasculares desta classe de medicamentos que atua muito além do simples controle da glicemia, podendo ser considerada uma vacina para doenças cardiovasculares e até para o diabetes tipo 2.