A varíola é considerada erradicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 1979, um ano após ter sido registrado o último caso da doença. Seu fim representou uma das maiores vitórias da saúde pública, uma vez que a enfermidade foi uma das mais devastadoras da história. Em 1950, por exemplo, ela afetava 50 milhões de pessoas em todo o mundo.
Há apenas dois laboratórios em todo o mundo em que o vírus da varíola foi estocado para fins científicos, com autorização da OMS: um nos Estados Unidos e outro na Rússia. Isso oficialmente, pois há tempos que se suspeita do potencial de uso da varíola e de outros microrganismos em armas químicas por grupos terroristas. Mas o surpreendente é que o vírus acaba de ser encontrado em local absolutamente inesperado.
O Instituto de Doenças Infecciosas do Centro de Pesquisas Médicas do Exército dos Estados Unidos confirmou a identificação do vírus da varíola num pedaço de tecido com cerca de 50 anos, que estava armazenado num laboratório da Escola de Odontologia da Universidade de Indiana.
A comprovação em uma amostra tão velha e mantida em condições longe das consideradas ideais só foi possível graças à utilização de diversos métodos de observação e análise, como o microscópio de elétrons e o método TaqMan, um tipo de reação em cadeia de polimerase em tempo real. Segundo os pesquisadores envolvidos, a vantagem do TaqMan é fornecer bons resultados mesmo com amostras pequenas ou com baixa qualidade de DNA.


