Antigamente, as mulheres tinham seus filhos em casa e, no momento do parto, geralmente contavam com a companhia da mãe, das irmãs ou das avós. Atualmente, nos hospitais e maternidades, muitas vezes elas se sentem solitárias e até amedrontadas por contarem apenas com o auxílio de pessoas estranhas, entre médicos, enfermeiras e auxiliares.

Com o objetivo de suprir esta carência, mulheres têm se especializado em acompanhar gestantes no momento do parto. São as chamadas doulas, termo que vem do grego e que significa “mulher que serve”.

A psicóloga Maria Juracy Aires, de Curitiba, diz que sempre trabalhou com gestantes. Para poder ajudá-las melhor, achou que deveria entender o que se passava no momento do parto e passou a trabalhar dentro de maternidades.

“Foi então que percebi que as parturientes ficavam muito sozinhas e passei a oferecer minha companhia a elas, me tornando uma doula”, conta, completando que está na função há dez anos.

Orientação e apoio

O apoio torna o parto menos angustiante.

Para se tornar uma doula, não é preciso ter formação na área da saúde, basta passar por um curso de formação com carga horária definida. Por enquanto, só disponíveis no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Essas “acompanhantes” orientam a gestante e também o pai da criança, antes, durante e após o parto. Em momento algum elas questionam ou interferem nos procedimentos médicos.

Antes do momento do nascimento, elas conversam com o casal sobre o que esperar do parto, falam sobre dor e ajudam a mulher a se preparar física e emocionalmente para o nascimento da criança. Durante o parto, ficam à futura mamãe, lhes dando apoio. Fazem massagens e ajudam no banho. Porém, elas não substituem a presença do pai.

“É importante que este acompanhe todo o processo de nascimento, transmitindo segurança à parturiente”, atesta a advogada Patrícia Bortolotto, doula há um ano e meio. “No pós-parto, orientamos sobre amamentação e os primeiros cuidados com o bebê”, adianta.

Experiência própria

A advogada começou a se interessar pelo trabalho das doulas depois do nascimento de seu primeiro filho, há quase três anos. Na gestação de seu segundo filho, que está com cinco meses, ela mesma contou com o apoio de uma doula. Ela teve um parto domiciliar com apoio de uma acompanhante.

“Apesar de conhecer tudo o que se passa na hora do parto, senti, por experiência própria, como é importante ter alguém que te dê suporte, apoie e acalme no momento do parto”, comenta.

Em diversas regiões do país, as doulas são encontradas pelas gestantes por meio do site www.doulas.com.br. Segundo informações do site, a segurança e a tranqüilidade transmitidas por elas no momento do parto são capazes de reduzir o número de cesarianas, a duração do trabalho de parto, o uso de anestesia e de fórceps.

Sua presença na sala de parto, assim como à do pai e de outros familiares, geralmente é autorizada pelo obstetra das gestantes. Porém, de acordo com Maria Juracy, alguns hospitais e maternidades ainda têm restrições quanto à presença de acompanhantes.

“Isso precisa acabar, pois, no momento do parto, as mulheres ficam bastante vulneráveis e a companhia de pessoas de confiança é extremamente importante para elas”, reconhece.