Muito se tem falado sobre o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, e sobre o que isso vai influir no tratamento de diversas enfermidades importantes para essa parcela da população. Nesse quesito, as enfermidades reumáticas também deverão ter um acréscimo substancial na sua incidência. Doença que afeta as articulações, em especial do quadril e do joelho, a artrose é uma doença degenerativa agravada pela obesidade, atividades esportivas de forte impacto, como maratonas, futebol e tênis. Além de outros fatores que podem aumentar a predisposição à doença.

O ex-preparador físico Ari Santos teve o problema. Ele achava que era um probleminha, que afetava a sua coluna, mas que com o passar do tempo se revelou bem mais grave. Fazendo uma radiografia, ele descobriu que tinha uma artrose no quadril esquerdo, problema que afeta 10% da população mundial e que se agrava com o passar dos anos. "Por causa da artrose, a cabeça do fêmur se desgastou e os meus movimentos ficaram comprometidos", reclama. A doença chegou a um tal ponto que Santos não tinha mais firmeza na perna e se desequilibrava facilmente. "Durante muitos anos, tomei antiinflamatórios, que me traziam efeitos colaterais importantes", diz o aposentado.

De acordo com o traumatologista Álvaro Chamecki, muitas pessoas conseguem, por meio de medicamentos, fisioterapia e hidroterapia, resultados satisfatórios no combate às dores causadas pelas artroses. "Curar a doença mesmo, somente com a colocação de uma prótese que substitui a junta desgastada", explica, salientando que em mais de 90% dos casos cirúrgicos o paciente recupera a mobilidade. Fato acontecido com Ari Santos. "Graças à cirurgia, recuperei meus movimentos e levo uma vida normal", comemora.

Cirurgias menos invasivas

A evolução da medicina na área ortopédica, em especial na área de artroses de quadril, foi grande nos últimos anos. O avanço não foi só dos modelos de próteses, mas também nas técnicas de cirurgia. Hoje, elas são menos invasivas e mais simples. O paciente é liberado para ir para casa no mesmo dia ou no dia seguinte à operação, e em poucos dias está andando de novo. "A recuperação completa pode levar até seis meses", esclarece Chameki.

Quem desenvolve a doença, geralmente reclama de dores na virilha, manca como se uma perna estivesse mais curta que a outra, tem dificuldades de mexer o quadril e até de realizar tarefas simples como calçar meias e sapatos. Até o ato sexual, em muitos casos, é comprometido, por causa da limitação de movimentos. Segundo o Boletim "Enfermidades Reumáticas", dos Estados Unidos, dois terços dos pacientes com artrose de quadril apresentam dificuldades para a atividade sexual. O aposentado Gilberto Hilário, de 70 anos, teve artrose bilateral; com o tempo, a superfície de contato entre os ossos começou a ser destruída, inflamando as articulações e deformando a junta. Ele já operou o lado esquerdo e voltou a caminhar, mas ainda aguarda a cirurgia do lado direito para se livrar da doença.