Os transtornos mentais têm uma repercussão considerável sobre o desenvolvimento da criança e sobre o sucesso de suas aprendizagens.
No entanto, o diagnóstico frequentemente só é estabelecido muito tempo depois do aparecimento dos primeiros sintomas, porque ele é difícil de ser proposto para uma criança que está, por definição, em pleno desenvolvimento.
Dados do Ministério da Saúde mostram que de 10% a 20% da população de crianças e adolescentes sofrem de transtornos mentais.
A maioria – muitas vezes devido ao preconceito que essas doenças trazem – permanece por anos, senão a vida toda, sem diagnóstico formal e tratamento adequado.
O reconhecimento dos transtornos mentais na infância é de importância vital para o desenvolvimento, haja vista que o tratamento em fase precoce pode determinar a evolução das habilidades e das potencialidades da criança e minimizar sequelas e traumas futuros.
Transtornos emocionais
A grande dúvida recai sobre quando procurar auxílio profissional. Especialistas afirmam que existem na criança diversos transtornos ansiosos que se somam frequentemente uns aos outros durante o desenvolvimento.
Para a neuropsiquiatra Evelyn Vinocur, infelizmente ainda é muito grande o número de crianças que sofrem de problemas mentais e que ficam sem receber tratamento adequado.
“O mito de que criança não sofre de transtornos emocionais atrapalha ainda mais a situação dessas crianças bem como prolonga o início da detecção dos sintomas, agravando o problema”, admite, salientando que o problema ganha maior preocupação na família que apresenta um de seus membros com problemas emocionais, principalmente quando se trata de uma criança ou um adolescente.
Entre os elementos a serem observados, incluem os comportamentos desadaptativos e disfuncionais, geradores de problemas nas relações sociais, como, por exemplo, as alterações do sono e da alimentação, as dores mal explicadas, as alterações das emoções (isolamento, instabilidade, explosões de raiva), os medos excessivos, as dificuldades em lidar com questões cotidianas, e os problemas na aprendizagem. “Enfim, está em jogo a maneira de ser dessa pessoa”, observa a neuropsiquiatra.
Interdisciplinaridade
Na prática clínica, os transtornos psiquiátricos da infância e adolescência mais frequentes são: os de conduta, o opositivo-desafiador, os ansiosos (TOC, fobias, pânico, transtorno de ansiedade de separação), do humor (depressão e transtorno afetivo bipolar), de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), os invasivos do desenvolvimento (autismo, Síndrome de Aperger) e de aprendizagem, entre outros.
Conforme os especialistas, o transtorno ansiedade de separação é o mais frequente: ele começa por volta dos 6 ou 7 anos e se traduz por um desespero intenso da criança quando ela é separada das pessoas às quais está ligada.
As crianças e os adolescentes necessitam de uma abordagem terapêutica que contemple as especificidades inerentes à sua faixa do desenvolvimento. Para isso, sem dúvida, a interdisciplinaridade (integração entre os diferentes profissionais implicados) atua como a mais completa abordagem que se pode oferecer a um ser em desenvolvimento.
Desse modo, os tratamentos psicoterápicos e as medicações exercem igual importância, tanto na terapêutica quanto na prevenção de novos episódios. As medicações psicotrópicas disponíveis para essa faixa etária são as mesmas utilizadas em adultos. A sua segurança depende do uso criterioso, conforme prescrição médica.
A falta de conhecimento e o mau uso têm gerado insegurança na população de forma geral, o que pode retardar a terapêutica e, principal,mente, aumentar o risco de sequelas emocionais do futuro adulto.
