Cerca de 80% das queixas nos consultórios médicos hoje são por dor. Essa sensação física também é considerada uma das principais causas de afastamento do trabalho. Entre as principais manifestações estão a cefaléia e dor lombar, que na maioria das vezes, tem sua causa diagnosticada e tratada. Porém esses sintomas podem estar escondendo uma grave doença pouco conhecida, a dor neuropática.

Ao contrário da maioria das dores, a neuropática não está associada a uma lesão ou machucado em alguma parte do corpo. Ela se manifesta em função de uma lesão primária do sistema nervoso central ou periférico. Os sintomas também podem surgir associados com outras sensações como choques, pontadas, formigamentos, fisgadas, ardor e cansaço.

“Por isso o paciente acaba sentindo uma dor que pode afetar uma ou mais partes do corpo com dificuldade de localização, provocando inclusive, dificuldade de conciliar o sono, irritabilidade e depressão”, explica a médica Lin Tchia Yeng, do Ambulatório de Dor do Hospital das Clínicas de São Paulo, que participou ontem em Curitiba de um encontro técnico promovido pela empresa Pfizer em parceria com a Sociedade Brasileira de Estudos da Dor (SBED).

No Brasil, estima-se que cerca de 1,5% da população sofre de alguma dor neuropática periférica. A médica comenta que os diabéticos estão entre os pacientes que mais desenvolvem a doença. “A estimativa é que um terço das pessoas que tem diabetes há dez anos apresenta dor neuropática. Mas o índice chega a quase 50% entre as pessoas que têm diabetes há mais de quinze anos”, afirma. Também são suscetíveis a contrair a dor os portadores de câncer, HIV, insuficiência renal, hérnias de disco, herper zoster, hanseníase, além de derrames e fraturas. O alívio e tratamento da dor neuropática, provenientes de diferentes condições clínicas, são feitos através de medicamentos. Um dos que vêm demonstrando eficiência são os compostos por gabapentina, também utilizados para controlar convulsões.