?Muitas pessoas com ataque de pânico crêem que estão tendo um ataque cardíaco, sendo comum dirigirem-se aos serviços de emergências.?

Os transtornos mentais deixam suas marcas diariamente no comportamento das pessoas. Seja na hora de lidar com amigos e familiares ou quando as usuais tarefas do trabalho tornam-se uma missão praticamente impossível. Apesar de os sinais existirem, nem todo mundo consegue identificar o problema. Eles não são casos isolados e muito menos raros. ?Estima-se que cerca de 30% da população tem ou terá algum distúrbio mental durante a vida, sendo que os mais freqüentes são os transtornos de ansiedade?, revela o psiquiatra Roberto Canton. Neste grupo estão os transtornos fóbicos, do pânico ou mesmo mistos de ansiedade e depressão.

?Os pacientes que sofrem de transtorno do pânico costumam ter medo de sentir medo?, explica o médico. Assim, por receio de sofrerem uma nova crise de pânico, acabam evitando diversas situações e adotam uma vigilância exagerada sobre os sintomas da doença. Na vida pessoal, o pânico pode interferir inclusive no comportamento sexual, pois o aumento da freqüência cardíaca pode trazer a impressão de perda de controle. Muitos pacientes desenvolvem também medo de multidões e acabam nem saindo de casa para não enfrentar um restaurante ou um shopping cheio de gente, por exemplo. Na vida profissional, o prejuízo também é grande. As perdas na capacidade produtiva são significativas e até o caminho ao escritório pode ser uma barreira: fugir de um metrô lotado pode ser motivo suficiente para faltar ao trabalho.

Tratamentos eficazes

Um ataque de pânico é caracterizado pela apreensão relacionada à idéia de perda de controle ou morte, desconforto para respirar, sensação de desmaio, vertigem, tremores, náusea, ondas de calor ou de frio, dificuldade de concentração, necessidade de procurar ajuda ou de ir para outro lugar melhor ventilado. A causa da doença está associada a uma hiperatividade do sistema cerebral, que procura respostas para riscos iminentes. Porém, no caso do pânico, é como se a mente interpretasse como perigosa uma situação segura – decifrando de maneira distorcida a realidade.

?É difícil estabelecer quanto tempo leva desde o aparecimento dos primeiros sintomas até o paciente receber um diagnóstico correto?, afirma Canton.

Porém, não há dúvidas quanto ao sofrimento, desgaste e prejuízos que os transtornos mentais subdiagnosticados podem causar ao paciente e aos seus familiares. Principalmente por se saber que existem tratamentos, geralmente uma combinação de medicamentos e psicoterapia. No caso do transtorno do pânico, o medicamento ajuda a controlar as crises, enquanto a terapia ensina aos pacientes a administrar melhor a ansiedade.

Alterações no organismo

Estas alterações atingem, sobretudo, a regulação da sudorese e o controle do sistema nervoso autônomo, principalmente ao nível dos sistemas cardiovascular, respiratório, gastrintestinal e urogenital.

Sudorese – O paciente ansioso tem uma distribuição típica do suor: nas palmas das mãos, axilas e testa.

Coração – O sintoma mais significativo é a taquicardia. Outros são as palpitações, pressão alta, vasoconstrição que provoca palidez e baixa de temperatura nas extremidades.

Pulmão – Há uma tendência a uma respiração superficial e rápida, geralmente entrecortada por suspiros freqüentes e sensação de sufoco.

Sistema gastrointestinal – Falta de apetite, inapetência ou compulsão por comer, diminuição da secreção salivar, diarréias, obstipação em virtude de espasmos no intestino grosso.

Bexiga – Há um aumento da freqüência e da urgência miccional.

Sexo – A ansiedade é responsável pela maior parte das disfunções sexuais de causa psicogênica.

Reconheça um ataque de pânico

O ataque de pânico é o aparecimento súbito e imprevisível de uma intensa ansiedade, verdadeiro sentimento de terror, que não está ligado a uma determinada circunstância ou situação. Pode-se dizer que uma pessoa tem um ataque de pânico se quatro ou mais dos seguintes sintomas se desenvolvem bruscamente:

> Palpitações

> Sudorese

> Tremores

> Sensação de falta de ar

> Dor ou desconforto torácico

> Náusea ou desconforto abdominal

> Sensação de tontura, vertigem ou desmaio

> Sensação de irrealidade ou de estar distanciado de si mesmo

> Medo de perder o controle ou de enlouquecer

> Medo de morrer

> Calafrios ou ondas de calor