O ideal é que um aluno hiperativo tenha um tratamento diferenciado. Ele não pode estudar num ambiente com muitos apelos visuais para que não se distraia facilmente.?

Os professores se queixam do seu comportamento. Ele está sempre irrequieto, impulsivo, não consegue se concentrar, está sempre desatento e tem pouco aproveitamento escolar? Invariavelmente, é assim que começa o relato de uma mãe que procura o apoio de um especialista para diagnosticar em seu filho o transtorno do déficit

continua após a publicidade

de atenção e hiperatividade (TDAH). Esses tipos de comportamento, muitas vezes confundidos com indisciplina, são as principais características desse mal que atinge cerca de 3% das crianças em idade escolar. De acordo com especialistas, o distúrbio é caracterizado pelo tripé: falta de concentração, impulsividade e inquietação.

É justamente na idade escolar que o transtorno fica mais aparente, pois se todas as demais crianças conseguem se manter atentas ao que o professor fala e ele não, a suspeita se torna mais evidente. "Isso atrapalha muito o rendimento, pouco a pouco ele vai sendo discriminado pelos colegas, pelos próprios professores, porque ele está sempre fazendo bagunça", comenta o psiquiatra Paulo Matos, da Associação Brasileira de Déficit de Atenção. Assim, continua o médico, pouco a pouco a criança passa a ter uma piora na auto-estima e o abandono escolar se torna muito comum. O presidente alerta para um problema recente que está ficando bastante evidente para todos que trabalham com TDAH: o aumento da prevalência de uso de drogas e álcool quando essas crianças se tornam adolescentes.

Professor atento

Geralmente, esse distúrbio pode ser diagnosticado utilizando-se o histórico da criança, que tem a biografia sempre parecida: sofrem de distúrbios do sono, são estabanados quando começam a andar, apresentam retardos na fala e vivem trocando as sílabas das palavras. Por isso, o psiquiatra gaúcho Luiz Augusto Rodhe esclarece que a observação de pais e professores é fundamental para diagnosticar a doença. "Muitas vezes, esses sintomas passam despercebidos em casa, mas na escola eles se tornam mais evidentes", reconhece.

continua após a publicidade

O TDAH ainda não tem uma causa única comprovada. Sabe-se que o fator mais importante é a hereditariedade, uma vez que é comum encontrar várias pessoas acometidas pelo distúrbio numa mesma família. Rodhe salienta, no entanto, que é preciso distinguir com precisão a criança que busca apenas chamar a atenção daquelas com o distúrbio. Para determinar a incidência do transtorno é necessário um acompanhamento constante por, no mínimo, seis meses. "Nesse período devem estar presentes, associadamente, sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade", orienta o médico.

O neuropediatra Sérgio Antoniuk explica que, embora prejudiquem a capacidade de atenção e concentração, esses transtornos podem ser tratados. "Nos casos leves indicam-se a terapia e a orientação pedagógica, os mais severos são tratados com medicamentos", explica. O prazo médio de duração do tratamento é em torno de dois anos. No entender do especialista, um dos obstáculos para o tratamento de crianças com TDAH é a resistência dos pais. "Eles custam a admitir que o filho é hiperativo", completa o médico. 

continua após a publicidade