Cresce o índice de câncer de pele

A incidência do câncer de pele vem aumentando no País. Atualmente, cerca de 55 mil brasileiros são acometidos pela doença, segundo dados do Ministério da Saúde. Só no Paraná, 2,4 mil novos casos foram diagnosticados nas duas últimas edições da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele. Sábado foi a vez de a Sociedade Brasileira de Dermatologia promover n o v a c ampa nha , com exames gratuitos em todo o País. Em Curitiba, os exames aconteceram no Hospital Evangélico, Santa Casa de Misericórdia e Hospital de Clínicas.

“Além do dia da campanha, muitos vêm procurar nossos serviços durante o ano todo”, conta o chefe do Serviço de Dermatologia da Santa Casa, médico Luiz Carlos Pereira. Na campanha do ano passado, conta, foram realizados cerca de 600 exames, dos quais cerca de 11% apresentavam o câncer de pele. “É uma incidência muito alta”, aponta o médico. No ambulatório do hospital, onde são atendidas cerca de 70 a 80 pessoas por dia para o exame de câncer de pele, a incidência é de 10% para algum tipo de lesão, não necessariamente maligna.

Risco

A exposição excessiva ao sol é o principal fator de risco, alerta o médico. “Os danos à pele com o fotoenvelhecimento ocorrem por exposições prolongadas à irradiação solar, destruindo o DNA celular”, explica. Por ter efeito cumulativo, é comum que as pessoas só apresentem problemas depois de 50 anos.

É o caso da aposentada Maria Myrthes, 70 anos, que tem manchas vermelhas no rosto e cujo diagnóstico aponta para o desenvolvimento da ceratoses actínicas. “É um pré-cancer. Um precursor de lesão maligna”, explica o médico dermatologista Carlos Augusto Pereira. Maria Myrthes conta que faz o tratamento há cerca de três anos e revela que tem que tomar cuidados especiais, como usar bloqueador solar fator 30. De pele clara, Myrthes pode ter desenvolvido a doença porque lidava muito com fogão à lenha. “Todo o problema começa na juventude, mas as lesões só vão começar a surgir dez, vinte ou trinta anos mais tarde”, explica o dermatologista.

Tratamento

Entre os tratamentos usados no combate ao câncer de pele estão a cirurgia, crioterapia (tratamento à base de gelo), eletrocirurgia, laser e radioterapia. O médico Luiz Carlos Pereira lembra que em 92% dos casos há condições de cura total da doença. “O problema é quando os tumores produzem metástase”, alerta. Entre os diversos tipos de câncer de pele, o melanoma é o mais grave. Caracteriza-se por pintas ou manchas escuras em partes expostas ou cobertas do corpo – dorso da mão, face, costas. Pode ocorrer ardor e coceira no local e, se a metástase não for extirpada, pode atingir o cérebro, fígado e pulmão, tornando a cura mais difícil.

O tipo mais comum de câncer de pele, no entanto, é o baso celular, que representa 70% dos casos. Caracteriza-se pelo aparecimento de nódulos ou feridas que não cicatrizam, explica o médico. É assintomático e surge principalmente na face.

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