Muitas pessoas têm a idéia de que a cirurgia plástica começou como um meio de reparar defeitos graves e sem objetivos de aprimoramento estético. Mas a verdade é que nos primórdios da especialidade não havia distinção entre o aspecto estético e o reparador, fato tão polemizado nos dias de hoje. A médica Deusa Pires Rodrigues lembra que, ao se observar os primeiros relatos, a impressão que se tem é de que o objetivo fundamental nas tentativas de reparação plástica era proporcionar uma melhor qualidade de vida, independentemente do procedimento se destinar a reparação ou correção de alguma forma que causava incômodo ao paciente.

A especialista conta que, na história da evolução desses procedimentos, há relatos vagos de cirurgias realizadas desde os tempos mais antigos, inclusive, tentativas de inclusão de diversos materiais (pedra, madeira). ?Evidentemente com resultados desastrosos?, reconhece. As tentativas mais sérias e fundamentadas em estudos anatômicos e fisiológicos começaram no século XIX, mas o grande avanço da especialidade se deu por meio da descoberta de materiais sintéticos para correção e substituição, principalmente na face. ?A partir daí, os resultados passaram a ser mais persistentes, inclusive com a introdução de resinas ou polímeros, como, por exemplo, o uso do silicone?, atesta.

Avanços e popularização

As primeiras próteses de silicone surgiram na década de 1960, posteriormente muitos avanços foram realizados, principalmente com relação ao revestimento, permitindo mais conforto, segurança e durabilidade. Dentre as práticas cirúrgicas voltadas à estética, Deusa Rodrigues constata que a lipoaspiração foi a que ganhou mais adeptos. ?Não apenas pelo aprimoramento das técnicas, mas, também, pela constatação de que, invariavelmente, a gordura localizada não é eliminada por meio de dietas ou exercícios físicos?, frisa.

No entender da especialista, a popularização das cirurgias se deve, em parte, à ampla exposição na mídia e às mudanças culturais do padrão de beleza ditado pela cultura atual. Assim, cada vez mais homens e mulheres têm procurado os cirurgiões para fins estéticos.

Se por um lado a popularização das cirurgias plásticas trouxe muitos benefícios, por outro, criou uma falsa ilusão nas pessoas de que tudo pode ser resolvido pelas mãos do cirurgião. "É comum a paciente solicitar uma alteração para obter um resultado impossível", comenta a médica, salientando que durante as consultas, principalmente de pacientes que objetivam a lipoaspiração ou próteses de mama, o especialista pode perceber que, à medida que as informações vão sendo passadas, ocorrem algumas surpresas ou decepções. ?Não é raro, por exemplo, aparecer pacientes que imaginam que a lipoaspiração, como um passe de mágica, consiga diminuir o peso corporal ou que a inclusão de próteses de mama possa corrigir alguma flacidez?, realça.

Nesses casos, conforme Ana Zulmira Diniz Badin, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Paraná, o especialista deve tentar trazer a pessoa à realidade, enfatizando que, apesar de se obter melhora, o resultado pode não ser aquele que o paciente esteja imaginando. ?Quando o paciente insistir em uma promessa de resultados, o cirurgião deve, até mesmo, descartar a cirurgia, pois o resultado pode frustrar tais expectativas?, finaliza.