Atualmente, cerca
de 30% das pessoas que buscam a cirurgia plástica são adolescentes.

Que a maior procura por cirurgias plásticas é por mulheres não se duvida. Só que, além do público feminino, a cirurgia estética está atraindo cada vez mais o público jovem. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), em 2006, foram realizadas perto de 700 mil plásticas estéticas no País, sendo que os adolescentes – entre 14 e 18 anos – representaram 15% desse total, ou seja, 105 mil jovens se submeteram a algum tipo de intervenção estética no País. Para comparar, nos Estados Unidos, não passam de 7% dos casos.

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De acordo com Ana Zulmira Diniz Badin, presidente da regional paranaense da SBCP, na lista dos procedimentos mais procurados pelas meninas estão: rinoplastia (plástica de nariz), a diminuição das mamas, o implante de próteses de silicone, a lipoaspiração e a correção de orelhas em abano. Entre os homens, a correção do volume das mamas é a cirurgia mais procurada. ?Não existe uma idade mínima para que as cirurgias plásticas possam ser realizadas?, ressalta a médica, advertindo que, para se submeter ao procedimento, a adolescente deve ser saudável e passar por todos os exames pré-operatórios indicados pelo especialista.

Sem dúvidas

Para o cirurgião plástico Ruben Penteado, do Centro de Medicina Integrada, a adolescência é marcada por diversas mudanças físicas, psicológicas e comportamentais que, muitas vezes, podem não justificar a opção por uma cirurgia plástica. Por isso, o cirurgião destaca que o procedimento deve ser reconhecido como uma opção nesta etapa da vida. ?Em situações em que a única solução para resolver questões que abalam a auto-estima e o estado emocional do jovem seja realmente a cirurgia?, defende.

Normalmente, a opção pela cirurgia plástica deve ser feita pelo próprio paciente, que deve estar convicto de que a deseja, depois de ter tentado conviver com o problema que tem ou julga ter, sem conseguir resolvê-lo por outros meios. Só que no caso dos adolescentes, essa decisão está nas mãos de pessoas em formação, com muitas dúvidas e inquietações. A adolescência é marcada pela não-aceitação do próprio corpo, que passa por muitas transformações, num curto período. Por isso, Ruben Penteado defende a responsabilidade de pais e médicos na decisão do adolescente de se submeter a uma cirurgia plástica.

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Ana Zulmira Diniz Badin segue os mesmos preceitos, garantindo, no entanto, que em muitos casos, mesmo na infância, a cirurgia se faz necessária, como nos casos de orelhas em abano. Outras, como a rinoplastia (correção no nariz) e a lipoaspiração, que serve somente para os casos de gordura localizada, podem esperar um pouco mais. ?Depois dos 15 ou 17 anos de idade?, frisa. Quase sempre as adolescentes são levadas por seus pais à consulta com um especialista em cirurgia plástica. É nessa hora que todas as dúvidas sobre o procedimento devem ser elucidadas e a perspectiva do resultado debatida entre as partes.

Mudanças hormonais

Os especialistas reconhecem que, invariavelmente, é muito difícil para os pais imporem limites aos filhos adolescentes, mas eles são necessários e cada família deve lidar com esses conflitos de uma maneira positiva. Quanto ao papel do médico nesse processo, Ruben Penteado defende que a insatisfação que o adolescente relata com o próprio corpo deve ser encarada com critérios médicos, para que haja uma indicação precisa da cirurgia plástica. ?É necessário também avaliar a maturidade física e emocional do adolescente e informar ao paciente e aos pais os passos da cirurgia, os riscos e as possibilidades de complicações, bem como as restrições no período de recuperação?, diz.

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A presidente da SBCP-PR recomenda que, diante da onipresente queixa de auto-estima baixa por parte das(os) candidatas(os) à cirurgia, os especialistas não devem apenas oferecer a cirurgia como solução. ?Os adolescentes estão com a personalidade em formação e precisam passar por diversas fases no seu desenvolvimento tanto físico quanto emocional?, lembra. No entanto, a médica chama a atenção para que ao invés de julgar a adolescente por optar pela cirurgia, as pessoas envolvidas (familiares, médicos, amigos) precisam entender os motivos que a levaram àquela decisão. ?Não dá para dizer que a cirurgia é algo supérfluo para uma menina que tem vergonha de ir à praia, de usar um decote, devido aos seios grandes?, reconhece.

Cirurgicamente, uma pessoa de 16 anos está sujeita aos mesmos riscos que uma de 50 anos. De acordo com Ruben Penteado, o importante é individualizar a indicação da cirurgia, para que, em cada caso, o resultado melhore a qualidade de vida do paciente. Apesar disso, o médico registra um alerta: a cirurgia plástica em jovens exige cuidados especiais. ?Nessa fase, há inúmeras mudanças hormonais e é preciso estar com o corpo totalmente formado para se submeter a uma cirurgia?, completa.

Congresso em Curitiba debate avanços nas técnicas de cirurgia plástica

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), no Brasil são realizadas, por ano, mais de 650 mil intervenções cirúrgicas. No inverno, a procura pelas cirurgias ainda é maior, mas a tendência de se buscar esse procedimento nos meses que antecedem o verão aumenta a cada ano.

A explicação está nos constantes avanços e pesquisas que permitem redução no tempo de recuperação para quem espera entrar em forma para aproveitar a temporada de férias.

As novas técnicas e os resultados de novas pesquisas estarão em destaque do dia 14 ao dia 17 de novembro durante o Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica. O evento reunirá mais de três mil participantes no Estação Embratel Convention Center. Como o Brasil é referência mundial em cirurgia plástica, o encontro pode ser considerado um dos mais importantes eventos científicos da especialidade no mundo. Ana Zulmira Diniz Badin, presidente da regional paranaense da entidade, espera contar com a presença de mais de dois mil participantes, que debaterão temas como células-tronco e engenharia de tecidos, com convidados de outros países.