Um hormônio liberado pelo estômago e que aumenta o apetite daqueles que perderam muito peso pode ser a chave para resolver o problema da obesidade. Um estudo do Hospital de Veteranos na Universidade de Washington, em Seattle (EUA), publicado pelo The New England Journal of Medicine, encontrou índices mais elevado de grelina no sangue de pessoas obesas logo após perderem muito peso, o que pode ser a resposta para o vaivém das medidas.

O hormônio atua como mensageiro entre o cérebro e o sistema digestivo, regulando junto a outras substâncias do organismo a ingestão de alimentos. A teoria mostra que o nível de grelina aumenta quando a pessoa emagrece, desencadeando a sensação de fome desmedida e o apetite voraz logo após perder alguns quilos. Essa pode ser a chave para explicar a dificuldade em manter o peso após se submeter a dietas.

Um estudo preliminar mostra que a ingestão de grelina induz as pessoas a ingerir 30% a mais do que o considerado normal. “Esses dados sugerem que esse hormônio pode ser considerado no tratamento da obesidade?, afirma o estudo.

A descoberta abre caminho para a busca de remédios que podem desativar este hormônio e explica porque os obesos que se submetem a cirurgias gástricas não sentem mais os estímulos do apetite e conseguem permanecer magros. Após essa cirurgia, as células do estômago que produzem grelina não são mais expostas aos alimentos e a produção diminui consideravelmente. O controle deste hormônio pode permitir que uma pessoa não volte a engordar após perder peso.

?A eliminação da grelina do organismo após a cirurgia pode ser agora estudada como um mecanismo em potencial para controlar a obesidade?, afirma David Cummings, um dos autores do estudo. Cummings examinou pessoas obesas após perderem 17% de seu peso inicial. O estudo mostra a presença altíssima do hormônio nesses pacientes. A grelina tenta recuperar imediatamente o peso perdido pelo organismo desencadeando o apetite.

O controle desse hormônio pode ser a chave no combate à obesidade, que nos Estados Unidos atingiu níveis assustadores. Há dez anos uma em cada dez pessoas estava acima do peso. Uma pesquisa feita em 2000 mostrou que este número cresceu assustadoramente: um em cada cinco americanos lutam contra a balança. A obesidade já é considerada doença e acomete mais pessoas que o cigarro.  (Ansa)