Brasília – O Brasil vai liderar o maior estudo com células-tronco adultas para tratamento de doenças do coração já realizado no mundo, pela quantidades de casos a serem avaliados e pelo número de instituições envolvidas. São quase 40 instituições médicas e de pesquisa avaliando 1.200 pacientes portadores de quatro enfermidades, infarto agudo do miocárdio, doença isquêmica crônica do coração, cardiomiopatia dilatada e cardiopatia chagásica. A pesquisa, já em desenvolvimento no país, para um tratamento efetivo contra a doença de Chagas, por exemplo, é inédita no mundo.
O ministro da Saúde, Humberto Costa, anunciou o início do estudo, ontem à tarde, em solenidade no Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras (INCL), no Rio de Janeiro. A iniciativa tem o nome de Estudo Multicêntrico Randomizado de Terapia Celular em Cardiopatias e envolverá recursos da ordem de R$ 13 milhões, previstos no orçamento do Ministério da Saúde.
O objetivo é substituir tratamentos cardíacos tradicionais – que incluem cirurgias, medicamentos e até transplantes, pela terapia com células-tronco. Essas células têm sido estudadas há alguns anos para cura de diversas doenças, inclusive degenerativas como o Mal de Alzheimer. Abundantes em embriões e, em menor quantidade em tecidos celulares mais maduros como o cordão umbilical e a medula óssea, as células-tronco são as matrizes que se especializam para dar origem a células de órgãos específicos como neurônios, do músculo cardíaco, fígado, pele etc. Segundo o ministro, o governo decidiu investir na terapia celular porque a técnica vem apontando resultados promissores no mundo todo e oferece um tratamento menos invasivo, com uma cirurgia mais simples e com menos tempo de internação. A pessoa que tem células-tronco implantadas no coração volta para casa no dia seguinte. Além disso, observou Costa, haverá uma economia da ordem de R$ 450 milhões por ano nos gastos com o tratamento de doenças coronárias. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o governo desembolsou, em 2003, R$ 500 milhões com consultas, cirurgias para implante de ponte de safena ou mamária, transplante, internação e distribuição de medicamentos para hipertensão e melhoria de insuficiência cardíaca. Calcula-se que, ao substituir o transplante pela terapia celular, o custo do tratamento seja reduzido em 10 vezes. "É uma redução muito expressiva", disse o ministro, embora tenha ressaltado que o maior benefício é o conforto e qualidade de vida que o paciente ganha. "É um procedimento mais simples de ser realizado, o tempo de internação é de 24 horas, não há risco de rejeição, nem efeito colateral, e a melhoria do funcionamento do músculo cardíaco é evidente", completou. Os estudos vão durar três anos e, nesse período, metade dos pacientes receberá o tratamento tradicional, com os melhores recursos farmacológicos e cirúrgicos disponíveis. A outra metade será submetida à terapia celular. O objetivo é mostrar a eficiência da técnica.


