Brasília – O Brasil procura voluntários para testar uma vacina preventiva contra a aids. O país foi aprovado, na semana passada, para integrar um grupo de nações que participam do estudo. Três centros credenciados farão os testes: a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Centro de Referência e Treinamento em Aids (CRT ? Aids), que faz parte da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

Os voluntários devem ser adultos sadios, que não estejam sob medicação e apresentem condutas com baixo risco de infecção pelo vírus. As inscrições podem ser feitas pelo site www.vacinashiv.unifesp.br e serão submetidas a análise para avaliar se os candidatos atendem aos requisitos exigidos para o teste.

O estudo é financiado pela empresa farmacêutica Merck e pela Rede de Ensaios de Vacinas anti-HIV (HTVN, em inglês), uma organização americana que desenvolve pesquisas sobre o combate à aids. Quatrocentos e trinta e cinco voluntários de oito países da América do Norte, Ásia e África já participaram do projeto desde o início deste ano.

O responsável pela pesquisa na Unifesp, o médico infectologista Esper Kallás, afirma que não existe o risco de contrair aids durante o teste, porque a vacina não é produzida com o vírus HIV vivo. ?Seria um risco inaceitável para qualquer tipo de vacina, pois a premissa é que ela seja segura. O artifício é apresentar ao paciente um pequeno fragmento de HIV e estudar qual a resposta imunológica desenvolvida pelo organismo?, explica.

Segundo Kallás, a vacina preventiva não serve para quem já possui o vírus. O objetivo da pesquisa é descobrir a tolerância à vacina e como evitar a infecção e o desenvolvimento do HIV. ?Estamos otimistas. Creio que vamos conseguir uma vacina eficaz. Estima-se que 42 milhões de pessoas vivam com o HIV em todo o mundo. São 14 mil infecções por dia. A epidemia de aids é uma das maiores que a humanidade já conheceu e a obtenção de uma vacina seria um marco no combate à doença?, comenta o infectologista.

Esta é a Fase 1 em que, após experiências bem sucedidas com animais, são feitos os primeiros testes com humanos. Ela dura, em média, dois anos e deve testar pelo menos 12 voluntários em cada centro. Se os resultados forem satisfatórios, os pesquisadores tentarão descobrir as melhores dosagens da droga durante a Fase 2.

A última etapa, a Fase 3, servirá para confirmar se o produto tem eficácia. Kallás afirma que somente dois trabalhos chegaram à Fase 3 em todo o mundo no ano passado, mas não obtiveram licença para uso. Somente uma pesquisa chegou à Fase 2 no Brasil, mas foi abortada.

Apesar disso, o Brasil tem um programa de combate à aids que é reconhecido internacionalmente. ?Temos aqui diversos programas do Ministério da Saúde que oferecem tratamento às pessoas que precisam, com a implantação de medidas preventivas em todo o país e diversas linhas de pesquisa que contribuem para o combate à doença?, afirma Kallás.