Ansiedade, agitação constante, depressão. Por mais incrível que pareça, os bebês podem apresentar esses sintomas. Eles estão relacionados com problemas de transtornos psiquiátricos e se não forem tratados com antecedência, isso refletirá no futuro, principalmente na fase adolescência.

Os transtornos psicóticos são evidenciados em bebês através de reações simples como uma forma de deitar ou choros incontroláveis, não atendimento a chamados ou, até mesmo, atitudes demasiadamente quietas. Essas ações precisam ser analisadas dentro de um conjunto, sempre levando em consideração o ambiente no qual o bebê vive e as doenças familiares.

Os transtornos mentais do bebê serão discutidos no módulo 1 do curso de atualização A Psiquiatria no Ciclo da Vida , promovido pela Academia Mineira de Medicina, de 5 a 26 de maio. O objetivo do curso é despertar a atenção de psiquiatras, terapeutas, pediatras e outros profissionais da saúde que atendem bebês para a importância da decodificação de mensagens como posição, andar, falar e brincar para identificar possíveis sintomas de transtornos , explica o Prof. José Raimundo Lippi, organizador do curso e coordenador da residência de Psiquiatria Infantil da Faculdade de Medicina da UFMG.

Segundo o especialista, tem crescido muito o número de pais que procuram sua clínica para diagnosticar possíveis transtornos em bebês. Associamos esse fenômeno ao maior conhecimento das pessoas sobre os diversos transtornos, mas também ao aumento da incidência de casos devido ao ritmo de vida acelerado e estressante dos pais atualmente , conta Lippi.

A ansiedade apenas pode ser qualificada como transtorno no bebê se persistir por pelo menos duas semanas e interferir no funcionamento do sono, da alimentação, da comunicação com os pais e das brincadeiras. É preciso ficar atento porque outros tipos de transtornos podem ser confundidos com o de ansiedade. É o caso do transtorno de estresse traumático, quando as dificuldades e os problemas surgem após um trauma evidente.

Estudos têm revelado que crianças com transtornos ansiosos não tratados correm risco de se tornarem adolescentes e adultos tímidos e com grandes dificuldades de relacionamento. A vulnerabilidade, nestes casos, para o uso de álcool e de drogas está em torno de 20% a 30% das pessoas com timidez, que começam a utilizá-los para relaxar.

São freqüentes também os problemas profissionais, como a recusa por cargos que exigem contatos sociais. Investir em prevenção é, portanto, mais humano, lógico e barato , observa Lippi. O tratamento, no caso de ansiedade, é feito através de ludoterapia e terapia familiar.

Já no transtorno de depressão, pode ser o posicionamento do nenê. Por observação científica, bebês que permanecem muito tempo na posição de bruços com o rosto apoiado nos braços são candidatos à depressão. Mas esse fato não deve ser analisado separadamente.

O ambiente da casa, o ritmo de vida do bebê e outros sintomas como falta de resposta a estímulos também devem ser levados em consideração , completa Lippi. Quando confirmado a apresentação de uma depressão, o tratamento mais indicado é a terapia familiar. Isso porque bebês são extremamente vinculados ao ambiente em que vivem e assim, expressam as patologias da família.

O principal transtorno psicótico tem origem genética e é representado pelo autismo. As manifestações desta doença são bem características, como o constante balançar de cabeça, a posição imóvel por muito tempo e a concentração e fixação em atividades repetitivas. Os problemas mais recorrentes são cognitivos e afetivos. Nestes casos, o tratamento pode aliar técnicas da terapia comportamental e auxílio farmacológico.

Determinados transtornos agravam-se com a evolução da idade como fobias, medos e comportamentos obsessivos e já são considerados problemas de saúde pública. Segundo estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS), os problemas psiquiátricos estão entre as principais causas de perda de dias de trabalho.