Um grupo de pesquisadores italianos descobriu que a subministração de aspirinas por cinco ou mais anos pode reduzir em até dois terços os diversos tipos de tumores, em especial os de boca, garganta e esôfago.

A pesquisa, publicada na revista especializada “British Journal of Cancer”, foi conduzida pelo Instituto Mario Negri de Milão.

O estudo foi realizado com 965 pacientes doentes de câncer e 1.779 internados em hospitais, aos quais se perguntou sobre seu modo de alimentação, se bebem ou fumam e com qual freqüência recorrem à aspirina.

Muitos dos pacientes da pesquisa tomaram o remédio em muitos casos por problemas de saúde, como doenças cardíacas.

“É o primeiro resultado significativo que demonstra como a aspirina pode obstaculizar o possível câncer desde a boca até o estômago”, declarou a doutora Cristina Bosetti, do instituto milanês de pesquisa farmacológica.

O estudo afirma que se a aspirina é tomada antecipadamente, antes do surgimento de um câncer, pode ter resultados ainda mais eficazes. Ela teria condições de inibir em particular uma enzima responsável por inflamações e diversas formas de tumores.

“Nossos resultados são passos importantes no conhecimento dos efeitos benéficos do remédio, que poderia tornar eficaz o antídoto contra o câncer”, acrescentou a pesquisadora.

Os cientistas já conheciam as propriedades anticâncer da aspirina, principalmente contra tumores no intestino e nos pulmões.

Além disso, o remédio é aconselhado há anos como antiinflamatório, como defesa contra doenças cardíacas e diversas formas de artrite.

“A aspirina deve ser considerada um dos mais importantes descobrimentos farmacológicos”, disse o doutor Richard Sullivan, da Charity Head of Clinical Programmes.