Imagine o que acontece se você respirar profundamente e, em seguida, apertar um torniquete em volta dos brônquios que drenam o ar dos pulmões.

O ar fica preso no local de obstrução. Você ouve um assobio, e esse som aumenta a medida que o fluxo de ar encontra dificuldade para passar pelo sistema de ventilação. Isso é asma.

Pessoas com a doença têm vias aéreas inflamadas. Isso faz com que elas inchem e se tornem sensíveis, reagindo fortemente a certas substâncias.

Células das vias respiratórias podem “fabricar” mais muco que o normal. O muco é um líquido pegajoso, espesso que pode reduzir ainda mais a passagem do ar.

Às vezes os sintomas da asma são leves e desaparecem por conta própria ou após o tratamento com um mínimo de medicamentos.

Em outras vezes, os sintomas se tornam mais intensos, caracterizando um “ataque de asma”, também chamados de surtos. A pediatra Zuleid Dantas Mattar, fundadora da Abra (Associação Brasileira de Asmáticos) explica que é importante tratar os sintomas logo que são percebidos, pois, isso ajudará a prevenir agravamento da doença e afastar a necessidade de cuidados de emergência.

Absentismo

Com a chegada do inverno, aumentam os casos de doenças respiratórias comuns da estação. Quem é portador de asma sofre ainda mais nesse período, uma vez que os fatores que desencadeiam as crises da doença são mais frequentes.

Ar seco, clima frio, mudanças de temperatura, poluição e partículas suspensas no ar impactam diretamente a qualidade de vida destes pacientes, estimados entre 100 e 150 milhões de pessoas no mundo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Apesar do impacto no dia a dia das pessoas, nem sempre a asma é levada a sério e o desconhecimento sobre a doença ainda é muito grande. Ela atinge mais de 10% da população brasileira e é responsável por 2,2 mil mortes por ano no País – de acordo com estimativas da Abra -, além de ocupar o quarto lugar entre as doenças com maior número de internações no Sistema Único de Saúde (SUS) e estar relacionada à ausência escolar e no trabalho.

Subdiagnóstico

A asma também é uma das doenças mais frequentes na infância. Acredita-se que 20% da população infantil apresente algum grau da doença, que se manifesta principalmente por tosse, falta de ar e chiado no peito.

De acordo com a especialista, um dos graves problemas relacionados ao distúrbio é o subdiagnóstico. Em muitos locais, a doença ainda é confundida, por médicos e leigos, com bronquite asmática, bronquite alérgica ou, simplesmente, com bronquite.

“Estas e outras dificuldades relacionadas ao desconhecimento fazem com que a maior parte dos asmáticos não tenha o tratamento adequado” afirma a pediatra. Por ser uma doença crônica que provoca a inflamação das vias aéreas, a asma deve ser controlada com medicações antiinflamatórias, como os corticóides inalatórios. “O tratamento continuado com essa classe de medicamentos pode evitar e reduzir consideravelmente as crises, diminuindo as visitas ao pronto-socorro e hospitalizações”, garante Zuleid Mattar.

Entretanto, o baixo entendimento sobre a asma leva ao controle inadequado da doença. Um levantamento feito em 2008 com 1.800 pacientes em nove países, inclusive no Brasil, apontou que apenas um em cada quatro pacientes identifica a inflamação das vias aéreas como sua causa.

Outro dado alarmante é que 44% dos pacientes entrevistados admitem não usar a medicação quando estão se sentindo bem, o que é considerado um erro, pois o tratamento deve ser de longo prazo e preventivo.

Papel ativo

A maioria dos pacientes só enxerga a asma no momento da crise, que é a ponta do iceberg. Quando estão se sentindo bem, infelizmente abandonam a medicação e deixam de fazer o tratamento da inflamação das vias aéreas, fundamental para prevenir as crises. “Educar o paciente é fundamental para se pro,mover um melhor controle da doença”, reconhece a médica.

Além do tratamento médico, o controle da doença depende de se evitar o contato com os fatores que desencadeiam as crises. Alguns cuidados simples podem trazer grandes melhorias, como evitar mudanças bruscas de temperatura, limpar o ambiente com pano úmido ou aspirador, evitar contato com pó e poeira, evitar fumaça de cigarro e fazer exercícios nos horários de pico de poluição (começo da manhã e final da tarde).

A asma não pode ser curada. Mesmo quando o portador da doença estiver se sentindo bem, ainda terá a doença e que a calmaria poderá ser interrompida a qualquer momento.

Com o conhecimento atual, aliado aos novos tratamentos, a maioria das pessoas que têm asma é capaz de controlar a doença. Podem conviver com pouco ou nenhum sintoma, levando uma vida normal, ativa e, até, dormir com tranquilidade, sem ser interrompido a noite toda. Para o sucesso global do tratamento, o paciente deve ter um papel ativo na gestão da sua doença.

Ranking em hospitalização

A cada ano, ocorrem cerca de 350 mil internações por asma no Brasil, o que coloca a doença como a quarta causa de hospitalizações pelo SUS. Em 2007, os custos com internações por asma foram de R$ 99 milhões, 1,3% do gasto total anual com internações pago pelo SUS e o quarto maior valor gasto com uma única doença.

Além de ser a sétima causa de morte no Brasil, a DPOC, por outro lado, é responsável por mais de 37 mil óbitos por ano, o que equivale a 4 mortes a cada hora. Mais de 128 mil pessoas foram hospitalizadas no SUS, em 2008, devido a essa doença, gerando um custo de mais de R$ 76 milhões para o governo.

Sinais e sintomas 1

Tosse – É frequentemente pior à noite ou de manhã cedo. Traz imensas dificuldades para o portador dormir.

Sibilância – Chiado proveniente de um som de assobio ou estridente que ocorre quando o portador respira.

Aperto no peito – Como se algo estivesse espremendo ou forçando o peito.

Falta de ar – Alguns portadores dizem que não podem recuperar o fôlego ou sentem falta de ar.

Investigação – Nem todas as pessoas que têm asma têm esses sintomas. Da mesma forma, com os sintomas nem sempre significa que a pessoa tem asma.

Diagnóstico – Um teste de função pulmonar, juntamente com a história clínica e exame físico, é a melhor maneira de diagnosticar a doença.

Sinais e sintomas 2

Uma série de agentes externos pode causar ou agravar sintomas da asma. O médico deve ser consultado para uma investigação sobre os chamados gatilhos da doença. Entre eles:

* Alérgenos encontrados na poeira, pelos de animais, baratas, mofo e pólen de árvores, gramas e flores
* Irritantes, como fumaça de cigarro, poluição do ar, produtos químicos ou poeira no local de trabalho ou em casa
* Alguns medicamentos, como a aspirina e outros antiinflamatórios
* Sulfitos em alimentos e bebidas
* Infecções virais respiratórias, como resfriados
* Exercícios (atividade física)