Um anticorpo humano capaz de bloquear a infecção causada pelo vírus da pneumonia asiática (Sars) foi descoberto por pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute, do Centers for Disease Control and Prevention e do Hospital Pediátrico de Boston.

Esse anticorpo, segundo artigo publicado na revista especializada americana “Proceedings of the National Academy of Sciences”, poderá se tornar a base para um tratamento contra a fase infecciosa precoce do vírus e também um meio de prevenção (talvez disponível muito antes de que se chegue a uma vacina contra a pneumonia asiática).

Os cientistas, liderados por Wayne Marasco, do Dana-Farber, comprovaram que o anticorpo, chamado 80R, bloqueia a entrada do vírus em células cultivadas in vitro. Agora estão sendo realizados testes em animais e os cientistas não excluem iniciar em breve experimentos no homem.

A Sars, que surgiu na China há cerca de um ano, é uma forma de pneumonia potencialmente fatal causada por um novo membro da família dos coronavírus.

Rastrear o anticorpo foi uma tarefa titânica: os pesquisadores o identificaram entre milhões de anticorpos humanos de um catálogo ? um dos maiores do mundo até hoje ? elaborado por Marasco a partir do sangue de 57 doadores.

Inicialmente, contou o cientista, a molécula foi isolada junto a outras sete que tinham a capacidade de se unir em proveta ao S1, uma proteína que faz parte do envoltório do coronavírus que causa a Sars.

Depois, as oito substâncias foram enviadas a Atlanta, onde os cientistas isolaram o 80R, o único anticorpo que se mostrou capaz de bloquear as infecções de células cultivadas em laboratório e nas quais se agregou o coronavírus.

Segundo Marasco, os estudos realizados com animais são promissores, pois abrem a possibilidade de que o anticorpo, injetado no homem, possa instruir o organismo, dando-lhe armas para combater uma eventual infecção causada pelo coronavírus.