Estima-se que 80% dos acidentes envolvendo pessoas idosas ocorrem dentro da própria casa, podendo ser evitados na grande parte das vezes, desde que medidas preventivas sejam adotadas. Os acidentes mais freqüentes são: quedas não intencionais da altura do próprio corpo, queimaduras e envenenamentos, constituindo sempre um sinal de alerta.

Quedas: Ocorrem com freqüência em pessoas idosas, estando relacionadas com a condição de saúde do idoso, atividades da vida diária, causas ligadas ao ambiente e condições associadas. Entre as condições de saúde do idoso, relacionamos: fraqueza muscular, doenças do coração, do aparelho respiratório, do sistema nervoso, como doença de Parkinson; seqüelas de derrame e demência, doenças dos ossos, como artrose e osteoporose; problemas de visão e audição, problemas nos pês, como joanetes; calosidades e deformidades, falta de equilíbrio, uso inadequado de medicamentos e alcoolismo.

Quedas poderão ocorrer durante atividades cotidianas, como andar, cozinhar, trocar uma lâmpada do teto, andar de bicicleta, subir ou descer escadas, sentar e levantar de uma cadeira ou vaso sanitário, tomar banho, colocar ou tirar roupa do varal, regar plantas penduradas no teto e praticar esportes e uma série de outras. Entre as condições ambientais, os locais de maior risco para a ocorrência de tropeços, escorregões e quedas são o banheiro, o quarto, a cozinha, escadas, área de serviço e áreas externas, como calçadas, escadas e jardins.

Entre as armadilhas, pode-se citar: piso liso, encerado ou molhado, tacos soltos, pisos com desníveis, móveis soltos e inseguros, camas altas ou baixas demais, excessos de móveis, tapetes soltos ou com franjas, carpetes espessos, macios ou enrugados, poltronas baixas, capachos de porta soltos, escadas sem corrimão, tapetes nas escadas, falta de barras de apoio e piso antiderrapante no banheiro, animais domésticos, objetos espalhados pelo chão, fios de extensão em locais de circulação de pessoas, sapatos inadequados, pijamas longos, andar de meias, não utilizar instrumentos de apoio indicado, como bengala, e outras.

Como conseqüências das quedas, podem ocorrer escoriações, ferimentos, contusões, hematomas, fraturas, imobilidade pelo medo de cair novamente, invalidez e, inclusive, a morte. Importante é a prevenção, que consiste em reconhecer e adequar as condições de perigo relacionadas.

Queimaduras: São lesões da pele e mucosas produzidas por qualquer forma de calor. A pele do idoso é menos elástica, enrugada e desidratada, dificultando a cicatrização. Podem ser produzidas pelo fogo direto, líquidos aquecidos, como água, leite, caldos e outros, vapor de água aquecida (escaldadura), corrente elétrica, derivados de petróleo, como querosene, gasolina, álcool (bastante freqüentes), exposição excessiva ao sol (insolação), radiação, agentes químicos e causas diversas.

Considerada sempre como uma lesão grave no idoso, ocorre, na maioria das vezes, na própria casa. Por isso, é fundamental seguir algumas medidas preventivas: Não tomar banho com água superaquecida e ter cuidado com as compressas quentes, bolsas com água quente e escalda-pés (água quente e sal grosso). Não fumar na cama. No fogão, não deixar os cabos das panelas e bico da chaleira para fora. Não aproximar demais o corpo do fogão. Não deixar velas acesas durante a noite e não jogar tocos de cigarros no chão. Nenhuma cortina deve ficar pendurada próximo ao fogão, devido o perigo de incêndio. Não fazer reparos em instalações elétricas sem antes desligar a chave geral. Não utilizar fósforos acesos para descobrir objetos durante a noite ou vazamento de gás.

No caso de sofrer uma queimadura, não aplique substância como pasta de dente, pó de café, clara de ovo, manteiga, cremes ou pomadas sobre a superfície queimada. No primeiro momento, lavar a área queimada com água fria, cobri-la com um pano limpo e conduzir a vítima para o hospital ou unidade de saúde mais próximo.

Evenenamento agudo: É distúrbio produzido pela introdução de substâncias tóxicas no organismo. Quanto a sua natureza, pode ser por negligência, falta de atenção, ignorância em relação ao produto tóxico, picadas de animais que produzem veneno, como cobras, aranhas, escorpiões e outros, ou alimentos contaminados. Os tóxicos podem penetrar no organismo através das vias digestiva (a mais comum), respiratória (inalação), cutânea e injetável.

Como medidas preventivas: Guardar todos os produtos tóxicos fora do alcance de idosos depressivos, como alterações mentais ou oculares. Não armazenar produtos tóxicos junto com alimentos. Guardar os remédios e os produtos tóxicos, como materiais de limpeza, nos seus recipientes originais. Eliminar os remédios quando fora de uso, bem como observar o prazo de validade. Não pegar ou oferecer remédios no escuro. Não conservar plantas tóxicas em vasos ou jardins. Lavar bem as mãos antes de manipular qualquer produto tóxico. Evitar de colocar as mãos e pés desprotegidos em buracos ou montes de lenha, folhas ou lixo, pelo maior risco de picada de animais que produzem veneno. Observar normas de segurança quando utilizar chuveiro a gás, em face do risco de intoxicação pelo monóxido de carbono, com casos inclusive fatais. Vazamento de gás de cozinha (GLP) aumenta o risco de explosão, o mesmo ocorrendo com os aquecedores de ambiente a gás.

Em suma, muitos acidentes domésticos podem ser evitados, desde que as medidas preventivas sejam colocadas em prática. O aumento da população idosa exige maior atenção, tanto no sentido de prevenção como no atendimento diferenciado a esse peculiar segmento populacional, bem como a necessidade de realização de campanhas de esclarecimento para a população em geral, visto que a maioria das famílias possui um idoso em casa.

Luiz Bodachne

é médico-geriatra do Hospital Universitário Cajuru da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.