Segundo estudo realizado pela Universidade de São Paulo, 27% da população sofre de dor de cabeça crônica. Ou seja, quase um terço dos brasileiros sente dor de cabeça mais de uma vez por mês, há mais de seis meses. A reação comum é não dar a importância devida e, sem procurar o médico, se automedicar. Mas o presidente de honra da Sociedade Brasileira de Cefaléia, Dr. Edgard Raffaelli Júnior, um dos mais respeitados especialistas do Brasil, faz um alerta para quem sofre de dores de cabeça: “Os analgésicos tomados de vez em quando, cumprem o seu papel, mas quando tomados com freqüência maior do que quatro vezes ao mês, ao invés de curar, podem ser causadores de dor de cabeça”. Um doente de enxaqueca, por exemplo, passará a sofrer os efeitos colaterais das altas doses de analgésicos, e pode desenvolver até mesmo a temível cefaléia crônica diária, fase da doença em que o retorno à vida normal é extremamente difícil.

O Dr. Raffaelli explica como isso ocorre: “O cérebro e a medula espinhal, que constituem o sistema nervoso central, têm em seu interior células que produzem uma substância chamada endorfina, capaz de abolir dores e produzir a sensação de bem-estar. Quando há um estímulo produzido pela dor, são liberadas endorfinas que vão atuar na região afetada, anulando a dor. Se o paciente toma um analgésico, ele desobriga o sistema nervoso central de produzir endorfina para aquela dor. Se o paciente tomar muitos analgésicos, a produção de endorfina cai e o paciente fica dependendo só dos analgésicos, tendo, ao passar do tempo, que aumentar a quantidade de analgésicos até que eles param de funcionar. Nessa fase, portanto, o paciente passa praticamente a viver com dor de cabeça, pois passa o mesmo tempo ou mais com a dor do que sem ela. Pode-se dizer que aí o paciente desenvolveu a chamada cefaléia crônica diária”.

Antes de chegar nesta fase, porém, o paciente acaba convivendo com os efeitos colaterais relacionados aos analgésicos consumidos por ele. Segundo a neurologista Dra. Renata Parissi Buainain, “cada paciente reage de uma forma de acordo com cada medicação, mas quanto maior for a quantidade de comprimidos ingeridos, maiores são os riscos de o paciente sofrer os efeitos colaterais”. As substâncias que mais freqüentemente são utilizadas em excesso são os analgésicos comuns, os ergotamínicos (classe de analgésicos específicos para enxaqueca) e medicações que trazem associações de drogas. “O consumo exagerado de ergotamínicos, por exemplo, pode levar a uma intoxicação”, alerta a médica.

Outro erro cometido pelo paciente em relação à cefaléia crônica diária, além do uso abusivo de analgésicos, é tolerar a dor. “Muitos pacientes não procuram o médico, agüentando a dor de cabeça, partindo do pressuposto de que cefaléia não tem cura”, conta o Dr. Raffaelli. Mas, segundo ele, não há motivo para o paciente chegar a esse ponto. “Se diagnosticada e tratada a tempo, e de maneira adequada, muitas dores de cabeça, inclusive a enxaqueca, têm cura. A conduta correta a tomar, então, é procurar tratamento médico e evitar a automedicação”, completa o especialista.

Enxaqueca, mais que uma dor

Mal que atinge principalmente as mulheres (cerca de 18% da população feminina, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cefaléia), a enxaqueca é muito mais do que uma dor de cabeça forte. É uma doença bioquímica do cérebro que geralmente traz alguns sintomas associados como náuseas, vômitos, aversão à luz ou a cheiros fortes. Por surgir em surtos ou crises freqüentes e intensas, a enxaqueca pode atrapalhar seriamente a vida do paciente. Além de ser responsável por faltas no trabalho e perda de produtividade, a doença afasta o paciente da vida social.

Pacientes que sofrem especificamente de enxaqueca também podem desenvolver a cefaléia crônica diária que, nesse caso, é chamada de enxaqueca transformada. O neurologista, coordenador do ambulatório de cefaléias crônicas do Instituto de Neurologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Dr. Abouch Valenty Krymchantowski, explica que “como a maioria dos casos de enxaqueca transformada é também associada ao uso excessivo e/ou regular e abusivo de medicamentos para a própria crise de enxaqueca, muitas vezes torna-se difícil reiterar que não se trata de parar a medicação quando melhorar, mas, sim, de parar a medicação para conseguir melhorar”.

Segundo o Dr. Abouch, autor do livro “Enxaqueca” (editora Campus, 2001), geralmente, “o tratamento da cefaléia crônica diária tem sucesso quando é realizado por um médico treinado nessa especialidade (o chamado cefaliatra) e inclui, necessariamente, a suspensão abrupta da medicação consumida em excesso, o uso de drogas preventivas que atuam nos mecanismos cerebrais da dor, mudanças simples e objetivas de hábitos de vida e de comportamento e a fundamental compreensão, por parte do paciente, de que ele é o maior responsável, e também maior beneficiário, pelo sucesso do tratamento. Isso porque, no início do tratamento da cefaléia diária, o paciente pode apresentar piora grande nos primeiros dias da retirada da medicação usada em excesso, mas ao longo de alguns dias irá gradualmente melhorando e deixando de manifestar a dor diariamente.” Além disso, o médico ressalta que “se houver uso excessivo de drogas sintomáticas para a dor de cabeça (analgésicos e outros medicamentos específicos para tratar a dor), o tratamento preventivo não funciona até que o organismo do paciente não esteja mais sob a influência das drogas usadas excessivamente. Após um período de três a cinco semanas em média, porém, acontece uma melhora significativa no paciente.”

“Durante o tratamento preventivo, o paciente pode fazer uso de medicamentos específicos para os momentos de crise de enxaqueca, se houver, como a classe de medicamentos triptanos, a mais recente no mercado”, afirma a Dra. Renata. Entre os triptanos, a sumatriptana, princípio ativo presente no SUMAX, medicamento produzido pela Libbs Farmacêutica, por exemplo, foi a primeira droga na história a tratar especificamente crises de enxaqueca. A sumatriptana atua diretamente nos receptores envolvidos na crise da enxaqueca, simulando a ação do neurotransmissor serotonina, responsável pela redução dos sintomas. Por esta razão, na maioria dos pacientes, a resposta é rápida e produzem menos efeitos colaterais. Vendido sob prescrição médica, o SUMAX pode ser encontrado para consumo oral, nasal e subcutâneo.