Com efeito, esse é um sistema extremamente complexo, pois a sua função é reconhecer cada um dos tecidos, células e proteínas do organismo distinguindo-as dos microorganismos que invadem o corpo e causam infecção. Segundo Maurício Martins, presidente da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia ? Regional Paraná, quando a pessoa goza de perfeitas condições de saúde, a ação do sistema imunológico é imediata e eficaz. ?Essa mobilização é promovida com células oriundas da medula óssea, que se transformam em células de defesa e eliminam os agentes agressores?, explica, salientando que, na ocorrência de uma falha nesse sistema, o organismo fica exposto às doenças.
Resistência natural
Existe uma grande variedade de doenças que podem surgir por falhas no sistema imunológico, entre as mais corriqueiras estão as alergias. Outras doenças que derivam de falhas no sistema imunológico são a artrite reumática, a esclerose múltipla e o diabetes tipo I; além disso, quando o organismo está debilitado, fica mais suscetível a adquirir outras graves infecções. ?Normalmente, em equilíbrio, o organismo humano consegue resistir às agressões dos agentes biológicos e das toxinas, criando, assim, uma resistência natural?, ressalta Martins.
Essa capacidade de se defender é identificada como imunidade. Ela pode ser inata ou adquirida. A inata ou natural acompanha o indivíduo desde o seu nascimento. Elas são responsáveis, entre outras, pelas secreções ácidas e enzimas digestivas que destroem germes e dão resistência à pele e às membranas, protegendo contra a penetração de invasores. Conforme o especialista, o sistema imune dá a cada pessoa a habilidade individual para ?matar? os microorganismos invasores, limitando as infecções.
IMUNIDADE E MEMÓRIA
A imunidade adquirida depende da estimulação do sistema de defesa ao longo da vida e se deve à capacidade do sistema imunológico de produzir defesas contra invasores e destruí-los, impedindo-os de causar danos ao funcionamento do organismo. O sistema imunológico desenvolve imunidade específica e altamente eficaz contra bactérias, vírus, toxinas e tecidos de outros indivíduos ou animais.
Algumas imunodeficiências resultam de fatores ambientais e podem ocorrer associadas a outras delas. Um exemplo é a aids, causada pelo vírus HIV. Outras podem ocorrer por câncer, doenças nutricionais severas, queimaduras, exposição à radiação ou no caso de incompatibilidade de órgãos transplantados.
Maurício Martins explica que a imunidade adquirida depende de dois mecanismos intimamente relacionados entre si: a produção de proteínas chamadas anticorpos, que têm a capacidade de atacar e neutralizar o agente invasor, conhecida como imunidade humoral e a sensibilização de determinados tipos de linfócitos, contra um agente específico. Esses linfócitos tornam-se capazes de se fixar ao agente estranho e destruí-lo. Essa forma de imunidade é conhecida como imunidade celular.
Vacinas
Assim, algumas dessas proteínas são chamadas células de memória e permanecem no corpo. Quando o organismo encontra o mesmo antígeno novamente, está preparado para reagir rápida e eficazmente. Isso explica porque pessoas que já tiveram rubéola, por exemplo, ficam imunes a infecções subseqüentes por esse vírus. A imunização artificial, por meio de vacinas, funciona por esse princípio: a vacina prepara o sistema imunológico para reconhecer organismos causadores de doenças, entrando rapidamente em ação ao encontrar os microorganismos invasores. Várias vacinas são criadas a partir de bactérias ou vírus destruídos ou enfraquecidos. ?Eles provocam uma reação imunológica protetora, sem ter mais qualquer capacidade de causar uma infecção no organismo?, completa Martins.