Vista aérea da famosa
praia de Maresias.

Maresias é o destino mais badalado do Litoral Norte de São Paulo. Nos meses de verão, para lá se dirige uma multidão de pessoas em busca de sol, praia e muito agito. Além de ter três quilômetros de praia cercada pela bela e rica Mata Atlântica, Maresias é também muito bem servida por restaurantes, minishoppings, comércio variado e, à noite, é o ponto de encontro de milhares de jovens que se aglomeram em seus bares e boates. Por ser, dentre as praias paulistas, a preferida por surfistas e turistas da classe média alta, Maresias ganhou fama nacional.

Porém, o que pouca gente sabe é que esse badaladíssimo balneário situa-se em São Sebastião, município que tem uma costa de 108 quilômetros de extensão e um total de 37 praias, de características diversas. Além de Maresias, há outras também bastante agitadas e de ondas perfeitas para o surfe, assim como praias de mar calmo, de águas límpidas, ideais para famílias com crianças.

Para atender o grande número de veranistas – a população de 62 mil habitantes chega a quadruplicar na alta temporada – o município aumentou consideravelmente o número de estabelecimentos para hospedagem. Hoje há 180 hotéis e pousadas, que somam cerca de sete mil leitos, além de centenas de casas de aluguel e muitos outros imóveis que são, na sua maioria, residências de veraneio de paulistanos. De acordo com a prefeitura de São Sebastião, 54% dos imóveis do município são de casas de temporada de verão.

História

São Sebastião é hoje um excelente destino de verão, por sua beleza natural e pelo fato de ser um dos poucos locais onde se pode desfrutar, ao mesmo tempo, das paisagens litorânea e serrana – da areia da praia são avistados morros e mais morros cobertos pela vegetação da Mata Atlântica. Porém, sua importância turística vai muito além disso. O turista que visita as belas praias não pode deixar de conhecer, por exemplo, o centro histórico, que retrata um pouco dos 366 anos de vida de um município que, na verdade, tem quinhentos anos de história, já que Américo Vespúcio tinha batizado o local, em 1502, de Ilha de São Sebastião.

Apesar de pequeno – são sete quarteirões com casas e prédios (os mais antigos do século XVII) tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo) – o centro histórico é muito gracioso. Dentre os pontos de visitação há, por exemplo, a Igreja Matriz (1819), que foi recentemente restaurada; a Casa Esperança, a mais antiga e um dos cartões postais da cidade, a Casa de Câmara e Cadeia e a sede da de Turismo e Cultura (Setec), que também foi incluída no plano de restauro e hoje é ponto de encontro quase obrigatório nas noites de sexta-feira, quando ali acontecem animados saraus. Além de ser muito agradável à noite, a Setec também é um centro de exposição do trabalho de artistas locais que vale a pena ser visitado.

Antes de ir ao sarau da Setec, uma dica é jantar em um dos vários restaurantes da avenida Dr. Altino Arantes, mais conhecida pelos moradores como a “Rua da Praia”. Como as temperaturas são sempre muito altas, a sugestão é sentar às mesas distribuídas no calçadão para saborear um belo prato à base de frutos do mar e tomar um suco ou cerveja bem gelada, enquanto flui aquele bate-papo com os amigos.

Divulgação

A história é apenas um dos muitos atrativos que o município vem divulgando junto ao trade turístico em feiras e eventos por todo o Brasil e com matérias em revistas especializadas. A intenção é mostrar as outras faces de São Sebastião e atrair turistas durante todo o ano, amenizando a sazonalidade. Além da divulgação, para o prefeito Paulo Roberto Julião dos Santos, que está no seu terceiro mandato, o desenvolvimento do turismo depende do binômio profissionalismo e planejamento – lazer e entretenimento. Para promover este segundo, a prefeitura vai lançar, no próximo mês de julho, o 1.º Festival Gastronômico de São Sebastião. “Com esses eventos fora da temporada de verão, o desafio é transformar o município em um destino turístico o ano todo”, diz.

Agregar cultura e turismo é outra proposta da atual administração. Alguns projetos já foram concluídos como, por exemplo, a reativação do Teatro Municipal, o único do Litoral Norte. O local tem capacidade para quatrocentas pessoas e está bastante badalado, com peças e shows musicais sempre em cartaz.

Parque Escultório

O mais novo projeto do município para fomento do turismo cultural é o Parque Escultório, criado pela Fundação Gilberto Salvador, e que deve transformar São Sebastião em um museu a céu aberto. Lançado no último dia 22 de dezembro, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, o projeto, que representa um investimento de quase R$ 1,5 milhão, reunirá obras de vinte dos maiores nomes da arte brasileira, como Mário Cravo Júnior, Sérvulo Esmeraldo, Rubens Gerchman, Maria Bonomi, Gilberto Salvador, Siron Franco, Mestre Didi, Emanoel Araújo, Yutaka Toyota, Takashi Fukushima, Marcelo Nietsche, Caíto, Luiz Hermano, Megume Yuassa, Nicolas Vlavianos, Caciporé Torres, Luiz Carlos Presente, Brezeguello, Gilmar Pina e Irineu Garcia.

Ao final, os trabalhos estarão expostos nas praias de Maresias, Barra do Una, Juquehy, Barra do Sahy, Cambury, Baleia, Boiçucanga, Paúba, Santiago, Toque Toque Grande, Toque Toque Pequeno, Boracéia, Juréia, Guaecá, Barequeçaba, Centro, Arrastão, São Francisco, Cigarras e Enseada.

O acervo será ampliado a cada dois anos e novas esculturas serão colocadas em outros locais públicos, como praças, parques e jardins. As obras receberão tratamento urbanístico e paisagístico, valorizando a paisagem exuberante do município, que une praia e montanha.

Município se abre para o ecoturismo

Do território de 400 quilômetros quadrados de São Sebastião, 84% são do Parque Estadual da Serra do Mar, área de preservação permanente. Toda essa exuberância natural, que inclui paredões de vegetação nativa, cachoeiras e rios, está sendo, aos poucos, descoberta pelos turistas que antes se dirigiam ao município somente para curtir suas belas praias.

Vem atraindo também novos visitantes, apaixonados pelos chamados esportes de aventura. Há cerca de três anos, o município tem se estruturado e se profissionalizado para explorar e oferecer de forma racional o ecoturismo. Há ainda locais que não são explorados pelo turismo, como o Parque Marinho de Alcatrazes, que é o maior ninhal de aves do Sudeste brasileiro. Sob a guarda da Marinha, o local não é aberto à visitação.

São Sebastião tem cinco trilhas para caminhadas e paisagens perfeitas para a prática de esportes como rapel (tipo de escalada), rafting (com um bote inflável desliza-se por corredeiras), cascade (rapel na cachoeira) e tirolesa (deslizamento em cabo de aço).

As trilhas são Cachoeira do Ribeirão do Itu (Salesópolis-Boiçucanga), Praia Brava (Boiçucanga), Maria Caetana (Barra do Sahy), Estrada do Sol (Boiçucanga-Camburi) e Sítio Arqueológico (bairro do São Francisco). A mais procurada delas é a de Cachoeira do Itu, em Boiçucanga, que tem 8,2 quilômetros de extensão e altitude de 580 metros em seu ponto de partida. Para percorrê-la, o turista leva, em média, seis horas. É obrigatória a contratação de um monitor local por se tratar de uma trilha estreita e com trechos próximos aos cursos d?água, escorregadios e íngremes. No percurso, o turista avista cachoeiras e rios, onde se pode tomar banho, além de conhecer a flora e fauna típicas da Mata Atlântica. Se quiser, pode ainda praticar cannyoning.

Sítio Arqueológico

Mais do que uma trilha em meio à mata, o Sítio Arqueológico São Francisco é um patrimônio cultural e histórico da cidade. Situado no secular bairro de São Francisco, reduto de pescadores e caiçaras, o sítio tem cerca de duzentos anos de história, revelados por ruínas de uma enorme e rica fazenda de escravos. Hoje, restaram ainda colunas, paredes, escadarias em pedra, terraços com floreiras, muros de contenção ornados com figuras, aquedutos, arcos sobre pequenos vales, canaletas em pedra, um oratório, fornos e, por incrível que possa parecer, fragmentos de porcelana, cerâmica e cachimbos, de acordo com estudos arqueológicos ainda desenvolvidos no local.

Os velhos caiçaras passaram de geração para geração a história de que o local era de propriedade de um cruel dono de escravos que, em troca de riquezas, fez um pacto com o diabo, mantendo-o preso em uma garrafa. Porém, durante uma viagem do fazendeiro, sua esposa soltou o diabo, o que causou a morte do senhor. Em meio ao velório, uma ventania apagou os lampiões e o corpo desapareceu. Pouco depois, um forte raio iluminou a fazenda e todos viram o diabo em cima da casa-grande carregando o corpo do fazendeiro. Dizem que a história provocou a fuga de todos os moradores do local.

Serviço – Os guias para as atividades de ecoturismo devem ser contratados na sede da Secretaria de Turismo e Cultura, situada à Avenida Altino Arantes, 174. Telefone: (12) 3892-1808. (DS)

Saiba que…

– 230 quilômetros separam São Paulo de São Sebastião. Em menos de 40 quilômetros há um posto de pedágio, onde o motorista de um veículo de passeio tem que desembolsar R$ 6,60.

– Além de São Sebastião, são municípios do litoral norte paulista Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba.

– São Sebastião é dividido em Costa Sul, Região Central e Costa Norte. As praias mais badaladas são as da Costa Sul, mas não deixe de visitar a Região Central, onde está o centro histórico e as praias da Cigarra e do Arrastão, onde acontece o Carnamar, o famoso desfile de embarcações até a Ilhabela, que ocorre no domingo de Carnaval. Conheça também as praias da Costa Norte e o antigo bairro de São Francisco, onde será instalado um museu caiçara, fruto de uma parceria com a Universidade de Brest, na França, e o Sítio Arqueológico.

– Devido aos 108 quilômetros de costa, a melhor forma de percorrer o município de ponta a ponta é mesmo de carro, porém, quem não quiser alugar um tem a opção de ir de uma praia a outra de ônibus. Há diversas linhas que percorrem toda a extensão da rodovia Rio-Santos. O preço da passagem varia de R$ 1,40 a R$ 2,50.

– A temperatura na cidade costuma ser alta o ano todo. No verão, os ponteiros passam fácil dos 30 graus, por isso, leve roupas muito frescas. Mesmo no inverno, os termômetros não registram baixas temperaturas -média de 20 graus.

– Todo o litoral norte paulista é cortado pela estrada Rio-Santos ou SP-055, que ganha nomes diferentes de avenida conforme a praia.

– De Curitiba a São Sebastião de avião: o melhor é pegar um vôo até o Aeroporto de Congonhas e alugar um carro até a cidade, que fica a 230 quilômetros.

– De Curitiba a São Sebastião de carro: seguir pela Rodovia Regis Bittencourt, depois Padre Manoel da Nóbrega e Rodovia Piaçaguera com sentido ao Guarujá. Quando chegar a um trevo, seguir pela Rodovia Manoel Hypolito do Rego e, por último, a Rio-Santos (SP-055).

– Informações turísticas: Avenida Dr. Altino Arantes, 174 – telefone: (12) 3892-1808. Site: www.saosebastiao.sp.gov.br.  (DS)

Saiba onde…

COMER:

– Bar e Restaurante Querubin – Dr. Altino Arantes, 48 – Centro. Tel. (12) 452-2207.

– Restaurante Lord Jim -SP-055 – Praia do Arrastão. Tel.(12) 3862-1903.

FICAR:

– Pousada da Sesmaria (Centro) – Rua São Gonçalo, 190. Tel. (12) 3892-2347. Site: www.pousadadsesmaria.com.br. Diária: R$ 80 por pessoa e R$ 100 por casal, com café.

– Pousada Ana Doce (Centro) – Rua Expedicionário Brasileiro, 196. Tel. (12) 3892-1615. Site: www.litoralvirtual.com.br/anadoce.

– Terrinos Flat Mar (Praia das Cigarras) – Rua Ademar Pereira de Barros, 212. Tel. (12) 2862-2521. Site: www.terrinosflatmar.com.br. Diária: R$ 150 por casal com café.

– Pousada Tambayba (Maresias) – Rua Sebastão Romão Cezar, 658. Tel. (12) 3865-6620. Site: www.tambayba.com.br. Diária: R$ 149 com café da manhã.

– Pousada Mibamar (Maresias) – Rua Francisco Loup, 1182. Tel. (12) 3865-6318. Site: www.mibamar.com.br. Diária: R$ 190 por casal com café.

– Pousada dos Condes (Maresias) – Rua das Maritacas, 4. Tel. (12) 3865-6322. Site: www.pousadadoscondes.com.br. Diária: R$ 230 por casal.

– Hotel Pousada Brig a Barlavento (Maresias) – Avenida Francisco Loup, 1158. Tel. (12) 3865-6527. Site: www.brig.com.br. Diária: R$ 369.

– Pousada Amoreiras (Maresias): Rua Sebastião Romão Cezar, 600. Tel. (12) 3865-6463. Site: www.amoreiras.com.br. Diária: R$ 276 por pessoa, com café.

BALADAR:

– Setec – saraus todas as sextas-feiras. Avenida Altino Arantes, 174 – Centro. Entrada gratuita.

– LAO – restaurante, bar e danceteria. Rua Silvina Altos Salles, 375 – Maresias. Entrada: R$ 50.

– Sirena – danceteria. Rua Sirena, 418 – Maresias. Entrada: R$ 25 para mulheres e R$ 30 para homens.

– Rua da Praia (Avenida Altino Arantes) – há shows quase todas as noites, somente no verão. Entrada gratuita. (DS)

Reserva indígena ganha projeto inédito

No bairro de Boracéia, na divisa com o município de Bertioga, está situada a Reserva Indígena Guarani do Rio Silveira, local onde moram 59 famílias, totalizando 280 pessoas. Infelizmente, a reserva não é aberta à visitação turística. Lá só entra quem pedir uma autorização por escrito junto à Funai (Fundação Nacional do Índio). É uma pena pois seria uma boa oportunidade de os turistas conhecerem como vivem os descendentes dos primeiros índios que habitaram São Sebastião, antes da chegada dos portugueses, em 1502.

Para transformar o local em um ponto turístico cultural, está sendo negociado com a Funai a construção de um local de exposição e venda de produtos artesanais feitos pelos índios. Este centro, que seria construído na entrada da reserva para garantir a privacidade na área de moradia, seria mais um projeto para alavancar o turismo cultural na cidade e ajudaria no próprio sustento das famílias indígenas. Hoje, elas vivem do cultivo e comércio da produção artesanal de produtos agrícolas, plantas ornamentais e o artesanato indígena. São considerados artesãos e trabalhadores rurais.

Ocas

A reserva possui uma área de 948 hectares, que ainda não foi demarcada oficialmente. Os índios têm como moradia pequenas casas construídas em pau-a-pique cobertas com palha e casas construídas com madeira da própria aldeia, coberta com telha. Não têm sanitários em suas moradias.

A fim de resgatar os hábitos indígenas, a Funai, Prefeitura de São Sebastião e C.D.H.U firmaram convênio com o governo do Estado para desenvolver o Programa de Moradia Indígena, pioneiro no Estado de São Paulo. Serão construídas cinqüenta moradias, respeitando o modo de vida original dos índios.

Atualmente há 21 casas em fase de construção. Elas estão sendo feitas com piso de cimento liso, paredes com madeira de eucalipto tratado e o teto é de piaçava trazida da Bahia. Têm banheiros em alvenaria com lavatório e ducha. Para evitar danos ao meio ambiente, em uma região de Mata Atlântica, estão sendo instalados tubos conectores de PVC rígido, com caixas de inspeção e gordura em alvenaria e o tratamento final será em filtros biológicos, anaeróbios e valas de infiltração. Todas as ocas são em formato circular e estão dispostas com uma determinada distância uma da outra, como em uma aldeia.

Um passeio pelos verdes mares

Uma das formas interessantes de conhecer a natureza de São Sebastião é navegando. Os passeios de barco que incluem mergulho são muito procurados por turistas de todas as idades. E São Sebastião tem muitos locais acessíveis para apreciação da vida marinha. O mergulho pode ser feito com equipamentos sofisticados ou com um simples snorkel e pés-de-pato. A Barra do Una é um dos locais de onde partem as embarcações. A Marina Canoa oferece passeios em que uma família ou grupo de turistas escolhe seu próprio roteiro, alugando um barco para passear, pescar, mergulhar, esquiar, visitar São Sebastião ou Ilha Bela. O preço varia conforme o roteiro e duração do passeio.

Uma boa dica é optar pelo Discovery Island, um outro passeio oferecido a bordo de uma lancha rápida, BRM, de 31 pés cabinada e com capacidade para doze pessoas. Com três horas de duração, inclui visita à Ilha Montão de Trigo, Ilha das Couves e As Ilhas (um conjunto de três ilhotas), com direito a duas paradas para banhos de mar, mergulho livre (com snorkel) e lanche a bordo.

Os locais visitados são lindíssimos, fazendo o passeio valer muito a pena. Durante o trajeto, muitas vezes o comandante Adrian Fuhrhausser chama a atenção dos turistas para os golfinhos que, em certos pontos, acompanham a lancha ou para os peixes voadores que parecem fazer um rasante em alto mar.

As saídas para o Discovery Island acontecem às 9h, 12h30 e 16h da Marina Canoa. Preço: R$ 100 por pessoa. A Canoa oferece ainda passeios especiais com caiaques, banana boat, fly boat, esqui aquático e pesca.

Serviço: A Marina Canoa situa-se à avenida Magno Passos Bittencourt, 326. Reservas: (12) 3867-1699. Site: www.canoa.com.br. (D.S.)