Em 15 anos de operação, o Refúgio Ecológico Caiman, primeiro empreendimento ecoturístico do pantanal sul-mato-grossense, comandado pelo empresário Roberto Klabin, é um dos principais responsáveis pela mudança do perfil do turismo na região. “Naquela época, havia no pantanal apenas o turismo de pesca, principalmente voltado para o público masculino, e nem tínhamos ainda um conceito claro de ecoturismo”, diz Klabin, que também é presidente da Fundação SOS Mata Atlântica.
“O pantanal era desconhecido do público estrangeiro e discriminado pelo público brasileiro. Os moradores também não tinham nenhuma tradição em serviços, já que a economia local era movida pela pecuária de corte tradicional.”
Hoje, as mudanças iniciadas por Klabin são refletidas pelo aumento de empreendimentos com características semelhantes na região, pelo tipo de público que se hospeda na Caiman e pelos novos serviços que ela vem oferecendo aos hóspedes. Entre dezembro/2002 e abril/2003, por exemplo, o complexo servirá de sede para atividades educativas como workshops de ornitologia e fotografia. “Ao longo desses quinze anos, o turismo passou a ser seriamente considerado pela sociedade local como um importante fator de geração de renda”, diz Klabin.
Também neste semestre, a equipe de caimaners (guias bilíngües especializados na flora e na fauna locais) incluirá os passeios de bicicleta entre os programas oferecidos regularmente para os hóspedes.
O empreendimento
Em 1987, Klabin inaugurou a Pousada Caiman, transformando em empreendimento turístico a casa-sede da propriedade de sua família, a fazenda pantaneira de pecuária Estância Caiman, instalada em 53 mil hectares a 236 quilômetros de Campo Grande (MS), na cidade de Miranda. Com o passar dos anos e a conscientização do público e do trade turístico a respeito do potencial ecoturístico do pantanal, a Caiman ampliou sua estrutura e hoje é composta por quatro pousadas.
À antiga sede somaram-se a Baiazinha, Cordilheira e Piúva, totalizando uma capacidade para setenta hóspedes. “No início dos trabalhos, o público principal era de estrangeiros, que chegavam a 80%. Hoje isso se inverteu e o público brasileiro corresponde a 70%.”
O modelo aplicado na Caiman permitiu que a pecuária de corte passasse a conviver harmoniosamente com as atividades turísticas e pesquisas ambientais, como o projeto Arara Azul.
Guias bilíngües especializados traduzem a natureza da região para os turistas, sempre acompanhados de guias locais conhecedores das particularidades da vida pantaneira.


