Fotos: Ciciro
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Peculiar, a pequena Guaraqueçaba é uma cidade histórica litorânea, mas com um clima todo interiorano.

Guaraqueçaba é uma cidade litorânea com ares de interior. Seus cerca de oito mil habitantes são simples, mas hospitaleiros. Também se pode dizer que eles são privilegiados pelos deuses, pois moram em um pedacinho do paraíso. A cidade está situada no litoral norte do Paraná, em um dos trechos mais preservados da Mata Atlântica brasileira. Além da arquitetura colonial, é cercada por ilhas, restingas, sítios arqueológicos e manguezais. Dentre esses lugares, o destaque fica por conta do Parque Nacional do Superagüi, que é formado pelas ilhas das Peças, de Superagüi, do Pinheiro e do Pinheirinho, e abriga um dos mais notáveis ecossistemas costeiros do planeta.

Com sua economia baseada no turismo e na pesca, Guaraqueçaba tem atraído a atenção dos turistas pela sua preservação. Tanto que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) declarou o município como uma Reserva da Biosfera – que são porções de ecossistemas terrestres ou costeiros onde se procuram meios de reconciliar a conservação da biodiversidade com o seu uso sustentável. A região acaba sendo um berço para a preservação de diversas espécies, inclusive ameaçadas de extinção, como mico-leão-de-cara-preta e o papagaio-da-cara-roxa (também conhecido como chauá). E para completar as qualidades de Guaraqueçaba, a temperatura na região é agradável o ano todo, em torno de 18 graus.

Na Casa do Artesanato, o turista pode adquirir peças e assistir ao trabalho de artesãos locais.

O acesso a Guaraqueçaba – que fica a 170 quilômetros de Curitiba – pode ser rodoviário ou marítimo. O acesso rodoviário é feito pela BR-277, seguindo pela PR-340 até Cacatu e depois pela PR-405. Os cerca de 70 quilômetros finais da viagem são feitos por uma estrada sem pavimentação e pouco confortável, sendo impossível concluir o percurso em menos de três horas. O que compensa essa opção de acesso é a bela paisagem proporcionada pela Mata Atlântica. Já o acesso marítimo é feito por Paranaguá, de onde saem embarcações regulares. O tempo de travessia é de cerca de três horas.

Atrações

Quem optar pelo acesso rodoviário não pode de deixar de visitar a Reserva Natural do Salto Morato, que fica cerca de dezenove quilômetros antes da sede do município. O local, que é mantido pela Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, está inserido em uma área de 2.340 hectares, e possui como atrações principais a queda do Salto Morato, com cerca de 130 metros, e a figueira do Rio  do Engenho. Quem for de barco também pode alugar uma condução para chegar até a reserva.

Zig Koch
Mico-leão-da-cara-preta é uma das espécies em extinção que encontram proteção na Mata Atlântica.

Já em Guaraqueçaba, o que chama a atenção são os casarios coloniais. Existem diversos exemplares arquitetônicos do século XIX espalhados pela cidade. Um dos principais prédios é o sobrado que abriga a sede da Estação Ecológica administrada pelo Ibama, que fica na beira da baía. Outra construção interessante é a Igreja do Nosso Senhor Bom Jesus dos Perdões, que foi erguida em 1838 em estilo colonial com grossas paredes de pedra, sendo a primeira construção do município. No seu interior, até pouco tempo, o altar era em forma de uma embarcação.

Quem quiser ter uma visão mais ampla da cidade e do conjunto que compõe o seu entorno pode ir ao mirante da Serra Negra, que é atingido por uma escadaria com 127 degraus a aproximadamente 30 metros de altura. Outro ponto de observação de Guaraqueçaba é a Ponta do Morretes. O local, que fica bem no centro da cidade, é formado por uma área arborizada e acessos que permitem banhos e pesca na baía. E para conhecer as peças feitas com folha de bananeira e barro a dica é passar na Casa do Artesanato. No local é possível acompanhar o processo de fabricação de uma variedade de itens, como tapetes, bolsas e vasos feitos na hora por artesãos locais.