Andarilhos percorrem a Praia
da Areia Preta, em Guarapari.

Está marcada para 10 a 13 de junho a 7.ª edição da caminhada coletiva Os Passos de Anchieta, que acontece no Espírito Santo. Trata-se de um roteiro a ser percorrido a pé, nos mesmos moldes do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. A caminhada revive a trilha histórica delineada pelo beato José de Anchieta – margeando o litoral capixaba – durante os últimos anos de sua vida. A expectativa é a de que participem cerca de três mil pessoas, entre capixabas e andarilhos de todo o País.

Os interessados em participar devem procurar a ong Associação dos Amigos dos Passos de Anchieta (Abapa), que organiza o evento e cuida da rota, para fazer sua inscrição e fazer a reserva nos hotéis e pousadas, pois em alguns deles, principalmente os que ficam no local dos pernoites, onde há programação cultural, já estão lotados.

As inscrições para a caminhada oficial custam R$ 20. Ao fazer a inscrição, o andarilho recebe um kit contendo um manual, uma credencial que deve ser carimbada em pontos estratégicos do caminho, e informações a respeito do caminho e relativas à alimentação e hospedagem.

A sede da Abapa fica na Rua Padre Antônio Ribeiro Pinto, 195/1004, Edifício Guizzardi Center, na Praia do Suá, em Vitória. Telefone: (27) 3227-2661.

Roteiro é o quarto desse tipo no mundo

O projeto Os Passos de Anchieta teve início em 1998. Hoje, o roteiro é o quarto desse tipo existente no mundo – os outros três são o famoso Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha; a Trilha da Terra Santa, em Jerusalém; e a de Roma, na Itália.

A Caminhada Coletiva Oficial ocorre sempre no primeiro final de semana de junho, e percorre os cem quilômetros entre Vitória, capital do Espírito Santo, e a pequena vila de Anchieta, no litoral sul capixaba, com duração de quatro dias. No ano passado, cerca de três mil pessoas vindas de todo o Brasil, e também de fora, como Estados Unidos, Canadá, Peru e Portugal, vieram conferir a rota.

Aliás, muitos dos andarilhos são reincidentes. Vieram a primeira vez por curiosidade, se encantaram com o trajeto e decidiram voltar, trazendo a família ou amigos a reboque. A trilha fica cheia de andarilhos durante o ano todo, pois além das caminhadas coletivas anuais, organizadas pela Abapa, há também as caminhadas periódicas, onde são percorridas partes do roteiro.

Durante a caminhada coletiva oficial, o percurso é realizado em quatro dias, divididos nos seguintes trechos: o primeiro, entre Vitória e Barra do Jucu, em Vila Velha, são percorridos em média 25 quilômetros. O segundo trecho, que compreende Barra do Jucu até Setiba, em Guarapari, perfaz 28 quilômetros. No terceiro dia são percorridos 24 quilômetros entre Setiba e Meaípe, ainda em Guarapari. E finalmente os 23 quilômetros finais abrangem Meaípe até Anchieta, na Igreja Matriz do município.

Pontos de apoio

A Abapa monta pontos de apoio, chamados “oásis”, aos andarilhos em intervalos constantes para fornecer água, frutas e medicação para as cãibras, bolhas e torções que inevitavelmente acabam surgindo nos menos preparados.

Na ocorrência de algum caso mais grave, há ambulâncias prontas para remoção de acidentados. E aqueles que acabam desistindo no meio do caminho, também podem pegar uma carona nos carros de apoio da organização.

Também nos postos, as credenciais devem ser carimbadas para que no fim do percurso o andarilho receba o certificado de participação. É preciso ter pelo menos metade dos dezesseis carimbos, para comprovar que o trajeto foi cumprido.

Todo o percurso é marcado fortemente por aspectos ecológicos, históricos, religiosos e culturais. Talvez seja essa a receita que consegue atrair tanta gente, dos mais diversos lugares do País, em tão pouco tempo de implantação do projeto.

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