O Parque Tanguá, um dos mais belos da capital, nasceu para assegurar a preservação do Rio Barigüi.

Parece presente de aniversário. No mês em que completa 313 anos, Curitiba vira foco das atenções do mundo e destino para, pelo menos, seis mil pessoas oriundas de 196 países. É que, pela primeira vez, a capital paranaense vai sediar dois grandes eventos realizados pela ONU (Organização das Nações Unidas): a 3.ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3), que acontece entre os dias 13 e 17, e a 8.ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade (COP8), a ser realizado entre os dias 20 e 31 de março, ambos no ExpoTrade, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.

Curitiba é a primeira cidade a receber o grande COP MOP sem ser uma capital de país. Para o secretário municipal de Turismo, Luiz de Carvalho, Curitiba tem capacidade para receber bem eventos de grande porte e essa é a chance de mostrar isso. "Os eventos COP8 e MOP3 vão consolidar Curitiba como importante destino de negócios; a cidade será colocada definitivamente no mapa mundial dos grandes eventos", afirma. Carvalho destaca que a capital, além de espaços apropriados e modernos para abrigar os encontros, tem ainda uma rede hoteleira de alto nível e preços baixos e oferta gastronômica diversa, devido à colonização de muitas etnias que a privilegia em relação a outras cidades brasileiras. A Prefeitura estima que, além dos seis mil participantes que fazem parte das delegações, aproximadamente mais quatro mil pessoas, entre manifestantes, imprensa especializada e outros profissionais, devem ser atraídos para a cidade para participar não só do COP8 MOP3 como de outros eventos paralelos. A prospeção da Prefeitura é a de que sejam injetados de US$ 15 milhões a US$ 20 milhões na economia municipal durante todo o período de organização e realização dos encontros.

Destino internacional

Para o presidente do Curitiba Convention & Visitors Bureau (CCVB), Adonai Aires de Arruda, essa é uma oportunidade ímpar de Curitiba se mostrar como destino turístico internacional, que oferece segurança, grande oferta gastronômica e a terceira maior hotelaria do País. "Além de os temas dos eventos serem o assunto do momento no mundo todo, estarão aqui autoridades máximas de diversos países, o que deve dar uma grande visibilidade à cidade", diz. "Essas autoridades vêm para cá com assessores e imprensa especializada, então, esses eventos vão gerar uma importante mídia espontânea para o mundo todo", complementa. O CCVB trabalha há dois anos no sentido de tornar a capital um destino internacional. Em 2005 participou de três feiras internacionais para divulgar a cidade no exterior e, este ano, deve estar presente em 13. Além do COP8 MOP3, a entidade atraiu outro evento de grande porte e âmbito internacional: o Congresso Mundial de Escotismo, que acontecerá em 2011, pela primeira vez no Brasil.

Hotelaria

Parque Tingüi abriga o Memorial Ucraniano.

Um dos setores que mais vão sentir o impacto da realização dos eventos da ONU é a hotelaria. Devem ser beneficiados cerca de 210 hotéis, de categorias entre uma e cinco estrelas. O presidente da ABIH-PR (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – Seção Paraná), Henrique Lenz César, acredita que os de categoria uma e cinco estrelas serão os primeiros a ser ocupados. "Esses, com certeza, terão ocupação de 100%", prevê. A maioria dos hotéis promoveu melhorias e treinamentos para receber os visitantes do COP MOP . "Nos últimos cinco anos, a hotelaria de Curitiba melhorou muito e hoje tem um bom nível de hotéis e está muito competitiva", comenta. A cidade oferece hoje 16,8 mil leitos.

Segundo a ABIH-PR, ano passado, o setor amargou baixos níveis de ocupação, com média de 40%. O pico foi 68% no mês de dezembro, devido aos eventos de Natal que atraíram mais visitantes à cidade.

"Babel gastronômica"

O setor de bares, restaurantes e casas noturnas da cidade também se mobiliza para atender aos turistas. A preocupação com os estrangeiros fez com que vários preparassem novos cardápios, bilíngües. Segundo maior centro gastronômico do Brasil, perdendo somente para São Paulo, Curitiba tem aproximadamente seiscentos estabelecimentos de bom nível para atender turistas de qualquer parte do mundo, de acordo com a Abrasel-PR (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Seção Paraná). Metade desses é associada à entidade. O diretor executivo e de expansão da Abrasel Nacional, Luciano Bartolomeu, diz que, por conta dos eventos da ONU, a expectativa é a de que aumente em até 30% o movimento nos estabelecimentos neste mês de março em relação ao mesmo período do ano passado.

Como forma de promover os bares, restaurantes e casas noturnas de Curitiba, a Abrasel lança o Brasil Sabor, uma ação que vai envolver setenta estabelecimentos de Curitiba que oferecerão cada um um prato especialmente elaborado para o período do evento. A relação dos restaurantes participantes e seus pratos estará em um livro de bolso trilíngüe, que será apresentado durante o lançamento do Brasil Sabor, no dia 16, às 20h, na praça de alimentação do ExpoTrade Center, e distribuído em hotéis e pontos turísticos. O Brasil Sabor acontece em Curitiba entre os dias 17 de março e 23 de abril. Mais informações sobre essa ação e restaurantes da cidade podem ser obtidas pelo telefone (41) 8828-5852 ou no site www.abraselpr.com.br.

O simpático Teatro Paiol é símbolo da mudança cultural da cidade.

Um grande evento, mas com resultados pouco efetivos para os profissionais do turismo de Curitiba. Essa é a análise da Abav-PR (Associação Brasileira das Agências de Viagem – Seção Paraná) em relação à realização do COP8 MOP3. O presidente da entidade, Antonio Azevedo, lamenta o fato de os agentes locais não terem sido envolvidos no processo, principalmente, quando foi definida a programação dos eventos. "A nossa crítica é que não houve preocupação da organização do evento (governo federal aí incluído) com os segmentos da cadeia produtiva do turismo", enfatiza. "A programação está muito hermética, o que não nos dá chance de oferecer aos participantes programas de passeios e visitas aos atrativos da capital e seu entorno, nem de outras partes do Estado", complementa.

Para Azevedo, a falta de envolvimento de alguns setores do turismo fará com que os eventos sejam mal aproveitados para a promoção do Estado no exterior. "Os participantes não são multiplicadores como os de um evento de turismo, por exemplo. Eles são, na maioria, técnicos acostumados a viajar para o mundo inteiro e que aqui não vão nem conhecer os nossos atrativos porque estarão com o tempo todo comprometido", lamenta.

Ele lembra que até mesmo muitos dos profissionais que irão trabalhar diretamente no evento, como tradutores, por exemplo, não são do Paraná.

O presidente da Abav-PR considera que o turismo da cidade continua desorganizado, sem um plano estratégico para aproveitar melhor a estada dos turistas de eventos e negócios. "Falta aqui um plano elaborado por um técnico em turismo; não se trata de uma questão política e sim técnica", enfatiza.

Divulgada como capital ecológica e considerada uma das cidades mais européias do Brasil, Curitiba tem muitos atrativos que interessariam turistas como os que vão participar do COP8 MOP3.

Curitiba exalta etnias e natureza

Março é, tradicionalmente, um mês diferente para Curitiba. Não só porque a cidade comemora aniversário no dia 29, mas também porque é um período de eventos importantes, que movimentam o turismo e incrementam a economia. E este ano não será diferente. Como acontece há quinze anos, Curitiba realiza, entre os dias 16 e 26, mais uma edição do Festival de Teatro, evento consagrado que chega a reunir 110 mil pessoas, muitos dos quais turistas. Quase no mesmo período, acontecem também o 12.º Salão Profissional do Turismo Abav-PR e o 3.º Salão Regional de Negócios em Turismo para o Mercosul, promovidos pela Associação Brasileira de Agências de Viagens do Paraná (Abav-PR). Os eventos serão realizados nos dias 17 e 18 de março, no Estação Embratel Convention Center. No ano passado, atraíram 6,5 mil participantes.

Paralelamente acontecem ainda a 2.ª Mostra das Regiões Turísticas do Paraná e o 7.º Encontro Estadual de Secretários e Monitores Municipais de Turismo, de 16 a 18 de março.

Mas Curitiba não quer ser só um destino turístico de eventos e negócios. Ela quer crescer também como destino de lazer. Já conhecida nacionalmente pela limpeza, sistema de transporte, parques e qualidade de vida, a cidade oferece uma grande cadeia de hotéis e desponta como uma das cidades brasileiras com maior diversidade gastronômica. São restaurantes que servem pratos da culinária japonesa, chinesa, árabe, italiana, francesa, alemã, ucraniana, entre outros, que refletem sua colonização de etnias variadas.

Assim como os restaurantes, muitos dos pontos turísticos da cidade são reflexo da miscigenação de culturas e povos. É o caso do Bosque Alemão, inaugurado em 1996, onde, em meio a 38 mil metros quadrados de mata nativa, abriga a réplica de uma antiga igreja de madeira, uma sala de concertos, uma biblioteca infantil e a Praça da Poesia Germânica. O bosque tem ainda uma trilha pela mata que conta a história de João e Maria, do conto dos irmãos Grimm.

O Bosque do Papa é outro exemplo. Memorial da imigração polonesa, foi inaugurado em 1980, ano em que o papa João Paulo II visitou Curitiba. Compõem o memorial sete casas de troncos, uma lembrança da fé e da luta dos imigrantes poloneses, que chegaram à cidade a partir de 1871. Os laços luso-brasileiros são homenageados no Bosque Portugal, que exibe, em azulejos, trechos da obra de poetas ilustres da língua portuguesa, além de uma homenagem aos grandes navegantes lusitanos e às suas descobertas.

O Memorial Árabe, que homenageia a cultura do Oriente Médio, funciona como biblioteca especializada. O prédio lembra o estilo arquitetônico das edificações mouriscas por elementos como a abóbada, as colunas, os arcos e os vitrais. Os orientais são também aludidos na bela Praça do Japão. Trinta cerejeiras enviadas pelo Império Nipônico e lagos artificiais nos moldes japoneses embelezam a praça, que tem ainda um portal, a Casa da Cultura e a Casa de Chá.

Os italianos são, talvez, os imigrantes mais lembrados em Curitiba. A região onde se estabeleceram quando chegaram ao Paraná hoje é o bairro de Santa Felicidade, um dos mais fortes atrativos turísticos da capital. Quase em frente à igreja do bairro está situado o cemitério, com seu inédito panteão constituído por 18 capelas em estilo neoclássico e tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico. Merece destaque pela sua arquitetura a Casa dos Gerânios, a Casa dos Painéis, Casa das Arcadas e Casa Culpi. Santa Felicidade ganhou destaque por ser o bairro gastronômico de Curitiba, com grande número de restaurantes que oferecem a comida típica e vinho da colônia. Existem ainda vinícolas e cantinas de vinho, lojas de artesanato e móveis de vime. (DS)

Linha Turismo leva a 25 pontos

Quem quiser conhecer os principais pontos turísticos de Curitiba em um só passeio pode optar por percorrer a cidade com os ônibus da Linha Turismo. Eles passam por 25 pontos turísticos, em um trajeto de 44 quilômetros. É um passeio de 2h30 de duração, que tem como ponto de partida a Praça Tiradentes, marco zero da cidade. Os pontos visitados são: Praça Tiradentes, Rua das Flores, Rua 24 Horas, Centro de Convenções, Museu Ferroviário, Teatro Paiol, Jardim Botânico, Estação Rodoferroviária, Teatro Guaíra/Universidade Federal do Paraná, Passeio Público/Memorial Árabe, Centro Cívico, Museu Oscar Niemeyer, Bosque do Papa/Memorial Polonês, Bosque Alemão, Universidade Livre do Meio Ambiente, Parque São Lourenço, Ópera de Arame/Pedreira Paulo Leminski, Parque Tanguá, Parque Tingui, Memorial Ucraniano, Portal Italiano, Santa Felicidade, Parque Barigüi, Torre Panorâmica/Brasil Telecom e Setor Histórico.

Os passeios acontecem de terça a domingo, das 9h às 17h30. A passagem custa R$ 15 e permite um embarque e quatro reembarques. Mais informações: (41) 3352-8000.

Parques: solução ambiental embeleza e dá fama à cidade

?Nossos parques são nossas praias?. Como não há praias na cidade, os curitibanos adotaram os parques como seus locais de lazer, exercício e descanso. E hoje eles ajudam a fazer a fama da cidade, pela beleza, criatividade, ampla área verde. Mas não é só isso, muitos deles nasceram como uma solução ambiental e hoje abrigam desde bares e lanchonetes até pesqueiro, biblioteca, bosques naturais, pomares, ciclovia e até um centro de criatividade, onde funcionam cursos e oficinas de arte.

Símbolo de Curitiba, o Jardim Botânico é um dos pontos turísticos mais visitados. Foi criado em 1991, à imagem dos jardins franceses, com seu tapete de flores e a conhecida estufa metálica, que abriga espécies botânicas e uma fonte d?água. O Museu Botânico lá existente, que inclui espaço para exposições, biblioteca e auditório, atrai pesquisadores de todo o mundo. Criado em 1976, está situado na região sul-sudeste da cidade o Parque Regional do Iguaçu, o maior parque urbano do Brasil, com oito milhões de metros quadrados. Equipado com estacionamentos, quiosques, bar e lanchonete, o parque oferece várias atrações, divididas em sete setores diferentes: esportivo, náutico, pesqueiro, bosques, pomares públicos, santuários ecológicos e um zo- ológico com mais de mil animais de oitenta espécies.

Primeiro parque público de Curitiba, o Passeio Público, na área central, foi também a primeira obra de saneamento da cidade, que transformou um charco em um espaço de lazer, com lagos, pontes e ilhas em meio ao verde. Primeiro zoológico de Curitiba, até hoje abriga pequenos animais.

O Bosque Gutierrez acolhe o Memorial Chico Mendes, que presta homenagem ao líder seringueiro amazônico, morto em Xapuri, Acre. São 18 mil metros quadrados de área verde, com trilhas e uma fonte natural que fornece 1.350 litros de água mineral por hora. Lá estão ainda a Escola Amazônica e o Teatro de Bonecos Dadá.

Um dos mais belos parques de Curitiba é o Tanguá, inaugurado em 1996 como uma das etapas de preservação do curso do Rio Barigüi, juntamente com os parques Tingüi e Barigüi. Tem 450 mil metros quadrados que abrigam duas pedreiras unidas por um túnel de 45 metros de extensão. O parque conta ainda com pista de cooper, ciclovia, mirante , lanchonete e o Jardim Poty Lazzarotto, uma alusão a um dos mais importantes artistas paranaenses.

Maior parque linear do País, o Parque Tingüi abriga mais um monumento de homenagem a estrangeiros que colonizaram a cidade: o Memorial Ucraniano, construído como uma réplica de uma igreja ortodoxa, que tem exposição permanente de pêssankas e outros símbolos da cultura ucraniana.

Outro parque que nasceu de uma solução ambiental foi o São Lourenço. Ele surgiu da necessidade de se reparar os estragos do estouro da represa de mesmo nome. Lá funciona o Centro de Criatividade de Curitiba, onde acontecem cursos, oficinas, apresentações e exposições.

Cultura e criatividade

A cultura em Curitiba tem abrigo em locais de construção criativa. É o caso do Teatro Paiol, que funciona onde, no início do século XX, era um paiol de pólvora. É considerado símbolo da mudança cultural da Curitiba dos anos setentas. Outro local inusitado que inclui auditório para espetáculos e solenidades é a Ópera de Arame, inaugurada em 1992. Entre lagos, vegetação típica e cascatas, seu auditório acolhe todo tipo de espetáculo, do popular ao clássico, com capacidade para 1.640 espectadores. A Ópera faz parte do Parque das Pedreiras que pode abrigar, ao ar livre, dez mil pessoas sentadas ou cinqüenta mil em pé.

Além desses, há também o belo Teatro Guaíra, um dos maiores da América Latina. Foi inaugurado em 1884 como Theatro São Theodoro e rebatizado em 1900. Foi demolido em 1930 e sua reconstrução, em 1952, já no local atual, foi ligada às comemorações do Centenário da Emancipação Política do Paraná, em 19 de dezembro de 1953. (DS)