Quarto azul: conforto e
aconchego a partir de R$ 55,00.

Viajar com a possibilidade de conhecer o lugar pelos olhos dos moradores locais é uma ótima fórmula para aproveitar o que a cidade tem de melhor. Foi pensando nisso que três jovens empresários do Rio de Janeiro criaram em 2003 o projeto Cama e Café, uma proposta muito conhecida em outros países, mas ainda pouco comum no Brasil. Por meio desse sistema, as casas dos moradores são transformadas em aconchegantes pousadas e hospedagens.

Como ponto de partida, eles escolheram o charmoso bairro de Santa Teresa, zona sul do Rio de Janeiro, o primeiro bairro do País a ser considerado Área de Proteção Ambiental e que tem como características principais casarões centenários, vários ateliês de artistas, vida noturna agitada e o charme do Rio antigo, onde ainda se pode até circular de bonde.

A Residence Ana
Maria Clark, simpática
casa de 1908, é uma
das hospedagens
oferecidas para turistas.

O negócio principal dos empresários é identificar a casa adequada para cada perfil de turista e promover a aproximação das duas pontas: hóspede e anfitrião. Para garantir o conforto dos hóspedes, a empresa estabelece como condição que os visitantes encontrem um quarto confortável, bom banho e um café da manhã farto e variado. E para garantir uma convivência tranqüila e proveitosa, tanto os hóspedes como os moradores têm que preencher um longo e detalhado questionário.

As questões abordam desde os hábitos de cada um, como por exemplo, se fumam, se gostam de animais ou se preferem comida vegetariana até a expectativa do que pretendem fazer na cidade. ?Se um fotógrafo nos procura, nós vamos hospedá-lo na casa de alguém que compartilha do mesmo interesse. Dessa forma, é muito comum que o anfitrião acabe se tornando um guia informal?, afirma Leonardo Rangel, um dos sócios da empresa.

Atrativo adicional

Gisele Rodrigues, economista da Petrobrás, é um bom exemplo deste intercâmbio. Ela é uma das 50 moradoras cadastradas no projeto desde o princípio e conta que já tem amigos em todos os continentes. No caso dela, um atrativo adicional. Ela mora na casa que pertenceu a Ronald Biggs, assaltante inglês que se refugiou no Brasil. ?Os turistas ingleses ficam fascinados. Fotografam tudo e sempre querem saber detalhes do período em que ele morou aqui?, conta aos risos.

O Cama e Café conta com a parceria do Sebrae no Rio de Janeiro desde o início. Além da gestão de negócios e cursos de treinamento para os anfitriões, ainda são desenvolvidas ações de inclusão social e melhoria da oferta turística local, sempre tendo como foco o desenvolvimento sustentável. Com esta proposta de tratamento diferenciado, em dois anos de funcionamento, o Cama e Café já recebeu mais de mil hóspedes, com 100% de ocupação no Carnaval e réveillon.

?Apostamos no tratamento diferenciado e personalizado. Oferecemos aos visitantes todas as informações que eles precisam e para que levem a melhor imagem do Rio, trabalhamos em parceria com outras empresas para atender as expectativas mais diferentes: da indicação das melhores áreas de mergulho à sugestão de passeios e transporte individual ou coletivo. Eles também ganham um cartão do Cama e Café que dá mimos em bares e restaurantes conveniados e até descontos em farmácias?, diz Leonardo.

O Cama e Café foi apontado em 2004 pelo Lonely Planet, um dos guias mais respeitados do mundo para viajantes independentes, como um dos cinco melhores lugares para se hospedar no Rio de Janeiro. ?É difícil ter uma segunda chance para se causar uma primeira impressão positiva, daí a nossa aposta no tratamento profissional aliado ao calor brasileiro?, diz o outro sócio, Carlos Magno Cerqueira, resumindo a filosofia da empresa. As diárias nos estabelecimentos Cama e Café variam entre R$ 55 e R$ 180.